Por Aderbal Nogueira
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sábado, 3 de fevereiro de 2024
80 ANOS ANGICO
CEMITÉRIO DA SERRA VERMELHA, ONDE FOI SEPULTADO O MAIOR INIMIGO DE LAMPIÃO.
Por Professor Marcus
A TRÁGICA VINGANÇA DE CORISCO
Por Aderbal Nogueira
PETRONILO DE ALCÂNTARA REIS, DESAFETO DO CAPITÃO LAMPIÃO POR PURA ESPERTEZA.
Por José Mendes Pereira
A literatura lampiônica diz que, segundo Guilherme Alves, o famoso ex-cangaceiro Balão, afirmou para alguns historiadores que este senhor de coronel Petronilo Reis, comprou propriedades juntamente com o capitão Lampião, e em vez de fazer escrituras nos nomes dos dois, como proprietários, usou a sua sabedoria, registrando somente no seu nome. O capitão lampião não gostou nem pouco, e prometeu matá-lo, mas a morte não aconteceu, porque o coronel deu no pé, em busca das Alagoas.
Veja o que disse o cangaceiro Balão:
" - Lampião havia comprado as terras em sociedade com um tal de Petronilo de Alcântara Reis: Tronqueira, Cachoeirinha, Formosa. Mas Petronilo as registrou apenas em seu próprio nome. Lampião zangou-se. Eu mesmo ajudei a matar muito gado a tiro, na Cachoeirinha. Petronilo fugiu para Alagoas".
Leia o que fala o escritor João de Sousa Lima sobre os dois patenteados, coronel Petronilo de Alcântara Reis (Petro), e Virgolino Ferreira da Silva (o capitão Lampião):
O ATAQUE DE LAMPIÃO AO CORONEL PETRONILO REIS.
Quando em 1928 Lampião cruzou o Rio São Francisco saindo de Pernambuco pra Bahia, um dos primeiros contatos foi com o coronel Petronilo de Alcântara Reis, "Petro". Era o chefe político de Santo Antônio da Glória, cidade hoje submersa pelas barragens do Rio São Francisco.
Vários livros contam que a amizade de Lampião com o coronel foi desfeita por que o coronel traiu Lampião, teriam os dois uma sociedade em terras e animais.
Quando houve a batalha que morreu Ezequiel, irmão mais novo de Lampião, fato acontecido na Baixa do Boi, em Paulo Afonso, Lampião encontrou em um dos bolsos de um policial morto no combate, um bilhete do coronel endereçado ao comandante da volante e o bilhete falava dos esconderijos dos cangaceiros. Lampião arquitetou sua vingança incendiando em torno de 18 fazendas do coronel. Começando de Glória, cruzando o Raso da Catarina, Lampião tocava fogo e matava os animais.
Dessas fazendas a única que permanece de pé é a fazenda Paus Pretos. Antes Paus pretos pertencia a cidade de Curaçá e hoje pertence a Chorrochó. Em Paus Pretos ainda resta os tornos de madeira com marcas escuras do fogo.
A fazenda é administrada por Paulo Reis, neto do coronel. Nas cheias forma-se um açude com sete quilômetros de extensão, no momento o açude encontra-se seco. Na casa sede da fazenda Lampião prendeu o vaqueiro Agostinho e o fez entrar dentro do curral e pegar na mão um cavalo e o vaqueiro conseguiu depois de muito trabalho.
Em 1928 quando Lampião atravessou pro estado da Bahia a região que fica dentro do Raso da Catarina foi muito explorada pelos cangaceiros. a primeira missa que os cangaceiros assistiram no estado baiano foi ministrada pelo Monsenhor Emílio de Moura Ferreira Santos. o padre era o pároco de Santo Antônio da Glória, a antiga Curral dos Bois.
O povoado São José, em Chorrochó foi uma das localidades que os cangaceiros também assistiram missa. Mais a primeira que foi celebrada pelo Monsenhor Emílio aconteceu entre a fazenda Paus Pretos, que pertencia ao coronel Petro e a roça Baixa do Boi. A missa foi na casa Júlia de 'Subaco', na fazenda poço Comprido.
http://lampiaoaceso.blogspot.com/2013/05/joao-na-pisada-do-cangaco.html
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LAMPIÃO E CORISCO: UMA DURA PERSEGUIÇÃO À FAMÍLIA JUREMEIRA NO OLHO D’ÁGUA DOS COELHOS. “SANTO ANTONIO DA GLÓRIA DO CURRAL DOS BOIS NO TEMPO DO CANGAÇO”.
Por João de Sousa Lima
Curral dos Bois foi uma das primeiras povoações a acolher Lampião depois que ele atravessou de Pernambuco pra Bahia.
O Chefe Político de Glória, o coronel Petronilo de Alcântara Reis, acabou tendo seu nome ligado com o cangaço e Lampião em várias histórias, foi coiteiro famoso e também inimigo depois que traiu Lampião, traição que Lampião pagou incendiando várias fazendas do coronel dentro do Raso da Catarina.
Uma das mais importantes famílias de Glória, família de sobrenome Juremeira, que vivia no povoado Olho D’água dos Coelhos, sofreu grande perseguição de Lampião e Corisco.
Para entender um pouco da história dessa família e a ligação com o cangaço devemos tomar conhecimento que Pedro Juremeira foi delegado na fazenda Caibos (Caibros) e por isso ficou marcado pelo cangaço. Era também quem fazia a segurança do coronel Petro e era proprietário de um barco que fazia a travessia do Rio São Francisco entre Bahia e Pernambuco, entre Rodelas e Petrolândia. A fazenda Caibos hoje esta inundada e as pessoas estão residindo nas agrovilas II e III.
Lampião mandou um recado para Pedro para que em um dia marcado ele fizesse a travessia dos cangaceiros do lado pernambucano para o lado baiano e Pedro não atendendo a solicitação, convocou alguns policiais e quando da aproximação dos cangaceiros acabaram trocando tiros com o grupo de Lampião, começando ai uma grande “Rixa” entre os dois.
Em uma das perseguições dos cangaceiros a Pedro Juremeira, Corisco, a mando de Lampião, pegou um primo de Pedro, chamado Leonídio (Lió), no povoado Olho D’água dos Coelhos, pra ele informar onde poderia encontrar Manuel Juremeira, pois não conseguiam encontrar Pedro e quem iria pagar a vingança dos cangaceiros era Mané Juremeira. Lió levou os cangaceiros até a roça “Pé da Serra” e chegando lá prenderam Manuel na roça e o trouxeram para sua residência, onde estava a esposa Hermenegilda “Miné” com os quatro filhos: Otacílio, Ananias, Lídia e Joana.
Na casa de Leonídio ficaram três cangaceiros vasculhando baús e armários em busca de jóias e dinheiro enquanto Corisco seguia com mais dois cangaceiros e o refém para a roça.
Chegando próximo de Mané Juremeira Corisco sentenciou o aflito rapaz de morte dizendo:
- Sabe com quem tá falando?
- Não!
- Corisco! Você vai morrer no lugar de seu irmão!
- Eu sou contra meu irmão! Morrerei inocente e sem culpa, mais maior que Deus, ninguém!
- Nada de Deus! Deus hoje aqui é a gente!
Os cangaceiros manobraram os fuzis e apontaram para os peitos e costelas de Manuel. Nesse momento dona Miné saiu de dentro da casa e correu e se abraçou com o marido:
- Aqui você não mata não! Meu marido é inocente!
- Saia da frente que vim matar foi homem e não mulher!
Nesse momento foi chegando Filigeno Furtuoso, amigo de Manuel que era tropeiro e residia na Tapera da Boa Esperança, em Penedo, Alagoas. O amigo sempre que passava na região dormia na casa de Manuel pra no outro dia viajar até Jeremoabo, onde comprava uma carga de fumo para sair revendendo, em sua junta de cinco burros.
Diante dos olhares dos cangaceiros e da situação em que encontrou o amigo Manuel, o tropeiro falou:
- Taí esses cinco burros arreados e eu lhe dou em troca da vida desse homem!
- Negativo! O senhor tem dinheiro?
- Não tenho! O que eu tinha era 800 contos de réis mais os outros cangaceiros que estão na casa de Leonídio já pegaram.
- E daqui a 30 dias?
Nesse momento o próprio Manuel respondeu:
- Ai eu tenho!
- Então vou liberar você e se não pagar eu volto e mato todo mundo.
Manuel escapou nessa hora.
O sargento Zé Isídio ficou sabendo do acontecido e intimou Manuel a ir a delegacia. Quando Manuel chegou o sargento o acusou:
- É você que é Mané Juremeira protetor de bandido?
- Sou Mané Juremeira, mais protetor de bandido não! Eu prometi pagar uma quantia para não morrer!
- Então agora você vai ter que vir morar em Glória!
Manuel foi obrigado a vir residir em Glória e nunca pagou a quantia estipulada por Corisco. Tempos depois os cangaceiros acabaram encontrando o tão procurado Pedro Juremeira em uma fazenda chamada Papagaio, em Pernambuco. Pedro estava dentro de uma casa e os cangaceiros o cercaram, prenderam o rapaz, amarraram em um mourão, perfuraram o corpo do rapaz todo com pontas de punhais e foram almoçar na residência. Depois do almoço os cangaceiros retornaram onde estava o corpo e descarregaram as pistolas na cabeça do já falecido jovem.
Depois de três dias da morte de Pedro, o pai do rapaz, Teodório Juremeira, mandou um recado para uns amigos descerem o corpo de Pedro em uma canoa até Santo Antônio da Glória, onde foi enterrado. Quando a família encontrou o corpo já estava apodrecido e tiveram que derramar uma lata de creolina.
Trinta dias depois do sepultamento os cangaceiros mandaram o portador Martim Gabriel, primo de Manuel Juremeira, que residia nas Caraíbas, Brejo do Burgo, com uma carta, cobrando o dinheiro que Manuel prometeu.
- Diga a eles que não mando não! Eu já moro na cidade e se eles quiserem vim aqui incendiar minha casa pode vir!
Depois de três anos o governo armou toda a população de Santo Antônio da Glória. Mané. Otacílio e Ananias pegaram em armas para fazer essa defesa do local.
Quando mataram Lampião a família Juremeira retornou para suas roças no Olho D’água dos Coelhos, porém, na época de Lampião e Corisco, quando eles eram os senhores das caatingas do Raso da Catarina, “Os Juremeiras” sofreram perseguições e mortes.
Paulo Afonso, 16 de outubro de 2017.
João de Sousa Lima
Historiador e Escritor
Membro e Vice-Presidente da Academia de Letras de Paulo Afonso.
Membro da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.
Material enviado por e-mail pelo autor para o nosso blog em 16/10/2017. Estou apenas repostando para aqueles que não tiveram a oportunidade de lê-lo.
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ETERNO ZÉ DE JULIÃO.
Por Rangel Alves da Costa
Ontem
(quarta-feira), andejando pelos sertões de Poço Redondo e mais uma vez
visitando as Pedras da Bastiana, local onde foi encontrado o corpo sem vida do
político, ex-cangaceiro Cajazeira, e cidadão poço-redondense José Francisco do
Nascimento, O ETERNO ZÉ DE JULIÃO.
FREI DAMIÃO, O OUTRO SANTO DO SERTÃO.
Por Rangel Alves da Costa
A fita de Juazeiro é milagrosa, a rapadura de Juazeiro é
abençoada, um retrato ao pé da estátua é motivo de orgulho e devoção. Por que
assim acontece? Ora, o povo sertanejo cria os seus próprios santos. Não
adianta, por exemplo, alguém negar a santidade e o poder milagreiro do Padim
Pade Ciço. É o santo do sertanejo, do nordestino, do beato e da rezadeira. O
Vaticano sequer precisa oficializar sua santidade. Santo já é. O mesmo vem
ocorrendo com Frei Damião, o missionário capuchinho que hoje tem pedestal
garantido nos casebres e casinholas, nas casas de fazenda, nos oratórios e nos
corações sertanejos. E tanto Padim Ciço como Frei Damião operando milagres,
pois até mesmo o milagre é mais fruto da crença e da devoção do que da ação
prática transformadora de uma situação.
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RELEMBRANDO A CASA VELHA DO CURURIPE (E OUVINDO UMA IMPORTANTE LIÇÃO).
Por Rangel Alves da Costa
Eu nem
imaginava que um dia construiria a Casa de Pedra nas proximidades, e já gostava
de passear pelas terras da histórica Fazenda Cururipe, já na posse dos
herdeiros de Seu Odon. Perante os meus passos e meu olhar, tudo ali era belo,
instigante, convidativo ao conhecimento do mundo sertanejo. Ora, no passado
pertenceu a Julião do Nascimento, pai de Zé de Julião, famoso ex-cangaceiro e
político de Poço Redondo. No Cangaço, Zé de Julião foi apelidado de Cajazeira,
e sua esposa Enedina continuando com o mesmo nome. Julião do Nascimento era um
dos mais ricos de Poço Redondo, pois além do Cururipe também era dono da
Maralina e de outras grandes propriedades. Após os anos 50 do século passado, o
Cururipe passou a pertencer a diversos donos, até ser adquirida por Seu Odon,
cujos herdeiros permanecem com parte de suas terras até os dias atuais. Mas a
velha sede não existe mais. No local da velha casa apenas escombros, um monte
de restos de telhas, madeira carcomida e retorcida e punhados de barro
esfarelando. Logo abaixo dos escombros, de repente surge um velho candeeiro, um
pedaço de foice ou facão, uma desgastada tira de um chicote. Quando ainda
estava em pé, mesmo já se dobrando pelo peso dos anos, muitas vezes adentrei suas
portas (sempre acompanhado por um dos filhos) atrás de relíquias e velharias. E
muito consegui. Hoje, quem passa pela estradinha do Cururipe e avista outra
velha casa na vizinhança da outra, logo imagina ser a mesma. Mas não é. Esta
casa pertence a Zé Wilson, filho de Seu Odon, que mantém o local como relíquia
familiar e para guardar mantimentos para o cuidado do gado, pois tem um curral
bem ao lado. Esta casa também está tão velha que mais parece da mesma idade da
outra já desabada. O segredo para que ainda se mantenha de pé me foi revelado
pelo próprio Zé Wilson: “Aquela outra casa velha só foi desabando porque quase
ninguém mais entrava lá dentro. E casa velha quando se sente abandonada, é como
se fosse entristecendo, esmorecendo, e perdendo suas forças de vez, até
desabar. E o mesmo vai acontecer com essa aí. No dia que eu fechar suas portas
ou aparecer apenas de vez em quando, não demora muito e ela vai cair. Por isso
que mesmo estando assim velhinha, todo dia sua porta é aberta e vai entrando e
saindo gente. Parece que a casa sente. Parece que depende disso para continuar
em pé”. Achei interessantíssima tal explicação. E ele tem plena razão: “Parece
que a casa sente”. Sente mesmo! Na foto abaixo, eu na velha e já desabada casa
do Cururipe.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=7404525696233845&set=a.476409229045561
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ALCINO E RANGEL NO MARANDUBA.
Por Rangel Alves da Costa
Em anos diferentes, nas terras históricas e cangaceiras do Maranduba, em Poço Redondo, e tanto o pai como o filho testemunhando a fascinante paisagem que em 32 foi cenário e palco de um dos maiores combates da história do Cangaço: o Fogo do Maranduba. Guarnecidos por sete umbuzeiros, com os cabras divididos nos sombreados e arredores de cada um, o bando de Virgulino Lampião fez o chão tremer e fragorosamente derrotou nada menos que duas das mais afamadas volantes, a comandada pelo pernambucano Mané Neto e a liderada pelo baiano Liberato de Carvalho. “Taca fogo, taca fogo!”, gritava Lampião, enquanto a bala zunia e o sangue da soldadesca espargia.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
FOTO DE UMA FORÇA VOLANTE COMBATENDO CANGACEIRO.
Guilherme Velame Wenzinger (Moderador).
Foto original de uma força volante pernambucana encontrada por uma prima da jovem Francine Paula, na casa de sua tia-avó, "Mazinha", em Inajá(PE). Francine é dona de uma página no Instagram que fala sobre coisas do sertão.
Essa foto foi doada pelo Tenente Pompeu Aristides de Moura ao avô de Francine. O Ten. Pompeu era tio do avô dela. A foto tem uma dedicatória escrita a Manoel Lacerda Lima.
Segundo Francine, o Ten. Pompeu é o segundo agachado da direita para esquerda.
Acervo:
Francine Paula e família.
ONDE, COMO E QUANDO ACONTECERAM AS MORTES DOS CANGACEIROS FERREIRAS.
Por José Mendes Pereira
O primeiro
Ferreira abatido em combate e que era irmão do ainda não capitão Lampião, foi
o Levino Ferreira da Silva, o Vassoura, que era o segundo filho de dona Maria
Sulena da Purificação, e primeiro do pacato José Ferreira da Silva.
José Bezerra Lima Irmão e João de Sousa Lima.Mas o escritor
e pesquisador do cangaço José Bezerra Lima Irmão, garante em seu livro
"Lampião a Raposa das Caatingas", que Antônio Ferreira da Silva era
também filho de José Ferreira.
Cangaceiro Antônio Ferreira da Silva.
Mas o escritor e pesquisador do cangaço José Bezerra Lima Irmão, garante em seu livro "Lampião a Raposa das Caatingas", que Antônio Ferreira da Silva era também filho de José Ferreira.
Vamos apreciar o que disse o pesquisador e historiador do cangaço Geraldo Júnior, sobre a morte do então cangaceiro Levino Ferreira, o Vassoura:
UM BREVE RESUMO SOBRE A MORTE DE LEVINO FERREIRA “VASSOURA” IRMÃO DE LAMPIÃO.
A MORTE DE ANTÔNIO FERREIRA CHEGA AO CARIRI CANGAÇO FLORESTA
Por João de Sousa Lima
Um dos pontos
mais visitados por Lampião e seus cangaceiros foi a fazenda Poço do Ferro, de
propriedade do coronel Ângelo da Gia. A fazenda, na época do cangaço, pertencia
a cidade de Floresta e hoje pertence a Ibimirim. A fazenda não teria tanta
importância para os pesquisadores do cangaço se lá tivesse sido apenas mais um
dos inúmeros coitos dos cangaceiros. Nessa fazenda o Rei do Cangaço perdeu seu
irmão Antônio Ferreira. Dirigimo-nos para Poço do Ferro, sendo guiado por
Marcos de Carmelita, porém sem conhecermos ninguém da localidade, assim como
parentes que ainda residem por lá.
Quando
avistamos a pequena placa com o nome da fazenda, paramos em uma cancela, abrimos
e seguimos a estreita estrada. Mais a frente encontramos um casebre onde reside
o senhor João David da Silva, sua esposa Maria das Graças e os filhos Joaquim e
Graziela. O João David nos recepcionou, serviu água e nos levou ao lugar onde
foi enterrado o Antônio Ferreira.
Uma pequena formação de pedras e uma cruz marca o local da sepultura.
Fizemos algumas fotos e fomos até a casa grande da fazenda, onde estavam neta, bisnetos e trinetos de Ângelo Gomes de Lima, o Ângelo da Gia. Na casa grande fomos recebidos por Washington Gomes de Lima, bisneto do coronel. Um fato interessante é que disseram que não seriamos bem recebidos pela família e confesso que de todos esses anos de pesquisas e entrevistas, nunca tive uma receptividade tão calorosa como a que recebemos da família.
Travamos um diálogo em uma festiva roda de conversas, tendo por depoentes a neta do coronel e matriarca da família, a senhora Eunice Gomes Lima e suas filhas Ruth Gomes Lima Laranjeira e Maria do Socorro Gomes Lima Cordeiro e ainda, do trineto João Vítor Gomes Lima. As histórias foram muitas mais sempre voltávamos ao episódio principal: a morte de Antônio Ferreira e a perseguição sofrida pela família e imposta pelas volantes policiais.
Uma das informações importantes nos forneceu Washington que contou que dois dias depois da morte de Antônio, uma volante chegou na fazenda Poço do ferro, descobriu o túmulo do cangaceiro morto, desenterrou-o e cortou a cabeça e colocou em uma estaca da porteira do curral do casarão do coronel. Quando a polícia saiu o coronel mandou enterrar a cabeça no antigo cemitério da família. Antônio Ferreira tem, portanto dois túmulos, sendo um para o corpo e outro pra cabeça.
Virgolino e Antônio FerreiraEm janeiro de 1927, Antônio Ferreira, Jurema e mais alguns cangaceiros estavam jogando baralho na fazenda Poço do Ferro, enquanto Luiz Pedro descansava em uma rede. Antonio pediu pra ficar um pouco na rede pois Luiz já fazia tempo que estava deitado. Quando Luiz Pedro tentou levantar da rede apoiando a coronha do mosquetão no chão, apoiou com força e na batida a arma disparou atingindo mortalmente Antônio. Lampião estava na Serra Negra e quando foi avisado correu pra saber da verdadeira história. O próprio coronel Ângelo da Gia contou que a morte havia sido de “SUCESSO” (termo que servia para designar um acidente). O cangaceiro Jararaca queria matar Luiz Pedro e os outros que estavam no lugar, Lampião não aceitou e por isso discutiram e Jararaca deixou a companhia de Lampião e seguiu outro rumo.
Fala-se que foi aí o juramento que Luiz Pedro fez dizendo que seguiria Lampião até sua morte. Se verdade ou não a promessa, eles morreram juntos na fria manhã do dia 28 de julho de 1938. Na fazenda Poço do Ferro ainda restam as velhas pedras escuras que circundam covas das pessoas de várias gerações da família e duas dessa simbolizam a passagem do cangaço em suas terras.
No final da conversa nos convidaram para um farto almoço regado a galinha cabidela, bode assado, arroz e feijão de corda. Porém o que mais me marcou nessa visita foram os sorrisos dos membros da família, que mesmo tendo sofrido os abusos e as injustiças de uma época tão marcada pela violência, não perderam suas essências de sertanejos valorosos e, sabem como poucos, receber calorosamente, aos que buscam os filetes de suas memórias históricas... Dona Eunice, Washington, Ruth, Maria Socorro e João Vítor, Deus proteja sempre vocês.
João de Sousa
Lima, Historiador e escritor
Membro da
ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso
Membro da
SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Conselheiro Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com/2015/04/a-morte-de-antonio-ferreira-chega-ao.html
O terceiro Ferreira abatido, foi Ezequiel Ferreira da Silva. Vamos apreciar o que diz o escritor e pesquisador do cangaço Âmgelo Osmiro, sobre a morte do Antônio Ferreira da Silva:
A MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA (PONTO FINO) IRMÃO DE LAMPIÃO.
Por: Ângelo
Osmiro (Fortaleza-CE)
Ezequiel Ferreira era exímio atirador, daí o apelido de " Ponto Fino". Irmão mais novo de Lampião, seria o último a entrar no cangaço, isso por volta de 1927, com menos de 18 anos de idade, permanecendo, até por volta de 1931.
Ezequiel Ferreira da SilvaA volante comandada pelo tenente ARSÊNIO, tendo obtido informações de que os cangaceiros estariam numa fazenda próxima à sede do município de Jeremoabo/BA, segue para as imediações com cerca de 15 homens. Chegando lá, entram em contato com um morador da região conhecido por Manoel Preto, esse após longa conversa, diz que os cangaceiros estão por perto.
O tenente em virtude do cansaço da viagem, da sede e da fome da tropa, resolve, ali mesmo, perto de uma cacimba, matar a fome e a sede que os estão desfalecendo.
Alguns soldados desarreiam e ficam despreocupados, aguardando para pegar os inimigos de surpresa. Escutam o tilintar característico de CHOCALHOS, mas nada desconfiam, pois pensam tratar-se de alguns animais aproximando-se para beber água, na verdade, ERA MAIS UM DOS ARDILOSOS PLANOS DE LAMPIÃO, aproximando-se dos inimigos com chocalhos, FAZENDO-OS CRER QUE UM REBANHO ESTAVA CHEGANDO PARA BEBER ÁGUA.
Pegando a volante (policiais) de surpresa, a fuzilaria foi geral, caindo mortalmente feridos vários soldados. O tenente ARSÊNIO que na ocasião portava uma metralhadora hot kiss, foi rápido na reação, evitando um desastre ainda maior, conseguindo atirar e, devido à rapidez dos tiros, assustam-se os cangaceiros, mas a metralhadora enguiçou, e o tenente, é obrigado a correr, mesmo assim tira o engate da arma, deixando-a sem utilidade.
Na rajada de metralhadora disparada pelo Ten. Arsênio, foi ferido mortalmente EZEQUIEL, o irmão de Lampião, sendo varado várias vezes pelas balas da volante, fato esse presenciado pelo cangaceiro ÂNGELO ROQUE, o mesmo Labareda, tendo dito:
- " Eu garanto que vi o oio bom de Lampião chorando. Nisso, cumpadre Lampião falou:
- "Perdi o gosto de ser cangaceiro. Mataram meu irmão " - Disse Lampião.
Os valores que EZEQUIEL carregava (dinheiro, joias etc...) Foram doados por Lampião a uma namorada do morto, que segundo informações estava grávida do mesmo, naquela ocasião.
Mas aí não termina a história. No ano de 1984, surgiu em Serra Talhada, um senhor de idade avançada, hospedado na casa do Sr. Genésio Ferreira, primo de Lampião, dizendo ser EZEQUIEL, e que teria ficado no grupo até julho de 1938, quando Lampião fez uma reunião, para comunicar aos companheiros que abandonaria o cangaço, e com ele, fugiram disfarçados: o próprio Ezequiel; Luiz Pedro e mais Félix da Mata Redonda, tendo Ezequiel permanecido no Estado do Piauí, enquanto Luiz Pedro e Lampião tomaram o destino de Goiás, onde esse teria morrido no ano de 1981.
Segundo o Sr. Luiz de Cazuza, com quem tivemos a oportunidade de conversar algumas vezes, em sua casa, na Fazenda São Miguel/Serra Talhada, ele estava com EZEQUIEL na casa de Genésio Ferreira. Em uma dessas conversas com ele, achava mesmo que se tratava do irmão de Lampião, pois respondeu algumas coisas que lembrava com precisão, embora a respeito de outras, não lembrasse, o que o deixou em dúvida. Mas, o Sr. Luiz de Cazuza contou-nos fatos que somente eles presenciaram e foram lembrados pelo velho com riqueza de detalhes, deixando-o ainda mais intrigado. Seria Ezequiel?
O escritor e pesquisador Hilário Lucetti também esteve com o suposto EZEQUIEL, e disse não ter dúvidas de que se TRATAVA DE UM IMPOSTOR.
Essa é mais
uma polêmica que divide os pesquisadores do cangaço.
Particularmente, acredito que EZEQUIEL morreu no combate travado com o Ten.
Arsênio no interior da Bahia.
Adendo: Ivanildo Silveira (Natal-RN).
COMPAREM AS
FOTOGRAFIAS E DEIXEM SUAS OPINIÕES.
Fonte: facebook
Página: Geraldo JúniorO Cangaço
O último Ferreira abatido, foi o capitão Lampião, quando atacado pelas volantes comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, na cidade de Porto da Folha, atualmente Poço Redondo, no Estado de Sergipe.
Lampião e seus comparsas estavam se levantando das suas barracas, quando foram surpreendidos pela grande quantidade de tiros saída da metralhadora e fuzis, sem nenhuma chance de reagir contra os seus perseguidores.
João Ferreira dos Santos - http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2023/09/joao-ferreira-irmao-de-lampiao.htmlMesmo não tendo sido cangaceiro em nenhum momento, dos Ferreiras só sobrou o João Ferreira dos Santos, o qual, obedeceu o pedido de Lampião, que ficasse cuidando das suas irmãs.
https://www.youtube.com/watch?v=ISn1AzuERc8&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura
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