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domingo, 23 de outubro de 2016

TODOS NÓS PAGAMOS UM PREÇO

Por Zé Ronaldo

Todos nós pagamos um preço
Quando nascemos nesta vida
Uns vivem se divertindo
Outros sofrendo as feridas
Uns enganando e mentindo
Como crianças iludidas.

Alguns só pensam em status
Carros motos e mansões
Neste mundo tão ingrato
Vem a ganancia e os ladrões
Muitos precisam de um abraço
Mais só tem humilhações.

Trabalhamos sem parar
Na cruel sobrevivência
Nem dar mais tempo sonhar
Acuados de carências
E colados a um celular
Foi-se embora a paciência.

O amor já se esfriou
Neste mundo vil cruel
Ninguém sabe o que é valor
Tudo tem sabor de fel
Só Deus nosso criador
Para nos levar ao céu.

Já nascemos no pecado
E continuamos errando
Pelo o orgulho separados
Mais Deus está nos esperando
Quando estamos magoado
Ele vem nos confortando.

Tudo aqui tem o seu preço
Cada moeda e tostão
As vezes as pessoas pagam
Sem saber porque razão
E ainda nos indagam
porque tal situação.

Esta vida é passageira
Aqui o dinheiro pode comprar
As farras e as brincadeiras
E alguém pode esbanjar
Quero ver comprar o reino
Quando Deus vinher julgar.

Pense bem amado irmão
Meu amigo verdadeiro
Tenha em seu coração
Espírito de paz e ordeiro
Dê a todos atenção
Para ser no céu o primeiro.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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VEJA MENINO PEDRO MOTTA POPOFF ENTREVISTA CANGAÇO TV CÂMARA

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VEJA MENINO PEDRO MOTTA POPOFF ENTREVISTA CANGAÇO TV CÂMARA

Publicado em 29 de julho de 2016

Veja o Pedro Motta Popoff conversando com Nelson Itaberá sobre o tema que mais gosta. Cangaço, TV e Radio Câmara...

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COMO NÃO ACREDITAR EM DEUS?

Por Zé Ronaldo

É bonito olhar a natureza
Aquarela de Deus na criação
Ver o rio seguir na correnteza
E um pássaro almoçar de grão em grão
Uma cobra dar o bote na esperteza
O rebumbo do corisco com o trovão

João de Barros construir apartamentos
Engenheiro pequeno da natura
A formiga armazenar seu alimento
E o terreiro chover de tanajura
A cigarra ecoar o seu lamento
Uma coruja cantar na noite escura

Ver um galo cantar na capoeira
Acauã soltando o seu lamento
Uma rã e um caçote tão ligeira
E a hora cantada por um jumento
Um ratinho fugir da ratoeira
E as folhas perder seus pigmentos

Nuvens escuras carregadas lá no céu
Com os raios do sol é um espetáculo
Foi Deus que compôs com seu pincel
Presente para nós sem intervalo
Tudo grátis não pagamos aluguel
Pois o pai nos oferta com agrado

Eu só posso acreditar num Deus
Que no amor fez toda criação
Porém o homem tomado de cobiça
Trouxe a terra a cruel destruição
Veio a gula o rancor e a preguiça
Dizimando uma nova geração

Ele é bom em tudo que sempre faz
Onipotente onisciente e imutável
Desejou para este mundo só a paz
Repreende num tom sempre amável
Mais o ódio cresceu tão voraz
E homem ficou insaciável

Ainda nos dar o pão de cada dia
Preserva da vida as crianças
Eu não posso crer em heresias
Porque vejo sua obra de bonança
E a natureza nos prestigia
Com o vento na palha que balança

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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FESTA DE SÃO SEVERINO BISPO 2016 em NOVA FLORESTA - PB

Por Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira

Histórico: SEVERINO era um cidadão romano e rico, que doou seus bens aos pobres e foi viver no deserto do Egito, em oração; logo depois, atendendo a um ‘chamado de Deus’ foi evangelizar os descrentes no Vale do Rio Danúbio. Construiu várias igrejas e evangelizou grande parte da Áustria e da Bavária. Para sua canonização foi ouvido o relato de Eugippius sobre o corpo de São Severino, Bispo de Norticum, morto em 482 d.C., diz que “Seis anos após sua morte, o corpo foi encontrado incorrupto.” 


Na Liturgia da Igreja, às vezes ele é mostrado afastando os gafanhotos; às vezes com um ramo de cereal ou trigo; às vezes com uma armadura lembrando que repeliu os bárbaros. 


No Brasil existe um Santuário em homenagem a São Severino, nas terras do antigo Engenho Ramos, na cidade de Paudalho – PE. O Santuário é na Capela de Nossa Senhora da Luz, hoje mais conhecida como Igreja de São Severino. Existe uma imagem que teria sido trazida de Roma por um filho da então proprietária do engenho. É tratado simplesmente como São Severino, ou como “São Severino do Ramo”, em virtude do nome do engenho, ou ainda “São Severino dos Ramos”. Esta confusão levou a que o grande dia de romaria seja no Domingo de Ramos, e não no dia 08 de janeiro.

Em Nova Floresta - PB o dia 20 de Outubro é dedicado ao nosso Padroeiro, SÃO SEVERINO BISPO. Sua imagem veio para a Capela a ele dedicada por doação do Sr Felinto Florentino de Azevedo, sendo celebrada a primeira missa na capela a ele dedicado no dia 21 de novembro de 1936.

As fotos abaixo são da mesma imagem em momentos distintos e pertencem ao acervo deste pesquisador.

Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira. Poeta. Escritor. Engenheiro Agrônomo. Funcionário da PETROBRAS S. A. Natural de Nova Floresta - PB.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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BOATOS E VERDADES SOBRE A VIDA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA.

Maria Bonita e Lampião

13 de fevereiro de 1926, o Jornal Pequeno acorda os recifenses com a publicação da notícia da emboscada armada pelo tenente Optato Gueiros dando fim ao cangaceiro Lampião entre Custódia e Alagoa de Baixo, em Pernambuco: Lampião estava morto. 

Já era à época, capitão. Patente recebida para combater a Coluna Prestes, de passagem no Ceará, recebeu a patente militar de um funcionário público de Juazeiro – que, mais tarde, diria que diante dele e de seus cabras assinaria até a demissão do então presidente Arthur Bernardes. 

Nessa época seus crimes eram tão populares que o nome Lampião passou a ser usado até em propaganda de pílulas para aliviar prisão de ventre. Esse alívio durou pouco para quem confiou na estatura da notícia do Jornal, era mais um anúncio falso. 

Lampião reaparecera meses depois ao governador de Pernambuco propondo a divisão do Estado em dois, para que ele pudesse ser nomeado governador do Sertão. Viveu mais 12 anos, se apaixonou, viveu e morreu ao lado de Maria Gomes de Oliveira fazendo-a sua companheira no cangaço. 

O Brasil surpreendeu-se quando viu as fotos de Maria Bonita e as outras cangaceiras enfrentando com alegria e vaidosamente ao lado de seus homens a vida nas entranhas das caatingas. Sertão para o litoral era sinônimo de miséria e violência absolutas… Os sertanejos eram tidos como “sub-raças” impossível viver uma vida bela ou sequer desenvolver uma convivência pacífica e amorosa em meio à crueza da região. 

Contam que a entrada da mulher no Cangaço foi o começo do enfraquecimento do movimento. Acreditam que elas deixavam os homens mais “moles” e mais vagarosos. Com Maria Bonitas muitas outras mulheres dividiram com os cangaceiros, por opção ou não, aquela vida temerária… Mas pode-se dizer que eram mulheres valentes, caprichosas, dispostas sempre a seguirem seus homens para onde fossem… 

Lampião começou a viver com Maria Bonita com mais de 30 anos e certamente já começava a pensar em se acomodar ou mudar de vida, morreu já com 40 anos de idade, bem mais cansado e desencantado com o Cangaço, então, pode-se pensar que existe uma “forçada” de barra, em dizer que foram as mulheres quem enfraqueceram o Cangaço. 

As mulheres foram para o Cangaço porque ele já estava enfraquecido, elas apenas contribuíram com seu senso e sensibilidade mais diferenciado em ver e viver a vida. 

Frederico Pernambucano de Melo

“Na fase final de suas tropelias, entre os anos de 1936 e 1938, Lampião mostrava-se bem mudado”, afirma Frederico Pernambucano de Mello. O historiador registra que ele trocou as constantes movimentações pelo sertão por uma vida mais sedentária e confortável em refúgios em Sergipe, “onde sua agressividade diluía-se nos braços de Maria Bonita, a quem amou profundamente, dedicando-lhe sempre calorosas palavras de elogio”. 

O cangaceiro Vinte e Cinco

Em entrevista em 2009 o cangaceiro Vinte e Cinco relatou que o famoso casal vivia em harmonia “Nunca ouvi reclamarem. Eles se acostumavam. Nem faziam futuro, nem pensavam em morrer, porque eles sabiam que a qualquer momento podia acontecer, daí o que viesse estava bom” esse modo de viver, quase romântico, repercutia no resto do grupo. “Chegasse o momento em que podíamos dançar, nós dançávamos; na hora de correr, nós corríamos; na hora de brigar, brigávamos; e a gente queria terminar aquele negócio logo, era matar ou morrer.” 


O lugar onde se deu o assalto e chacina era chamado, por Corisco, de “cova de defunto” pelas características que tinha e mesmo com o aconselhamento do assecla Lampião, resolveu pernoitar ali onde encontraria, através de 45 homens e três metralhadoras sua e da sua companheira a dura morte. 

Umburana de Cheiro

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CANGAÇO NO PIAUÍ


Mais um livro do escritor e fundador da SBEC -  (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço) Paulo Gastão.


Entre em contato com o autor através deste e-mail:

paulomgastao@hotmail.com

Peça logo o seu para não ficar sem ele: Livros sobre cangaço se demorar adquiri-los ficará sem eles, porque são arrebatados pelos colecionadores.

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II BIENAL DO LIVRO EM BRASÍLIA.... segundo dia...


Nosso livro O Sertão Anárquico de Lampião está com seus exemplares se esgotando já no segundo dia da Bienal, no Stand da Arco-Íris... continuam as procuras e o interesse pelo conteúdo da narrativa sertaneja nordestina que envolveu a Coluna Prestes e os cangaceiros, nos espaços amplos do coronelismo do início do século passado.


Igualmente os livros de nossas escritoras amigas da Casa de Autores e da Livraria Arco-Íris, sendo que o livro infantil de nossa editora Clara Arreguy, TIO Labina, de franco interesse pela criançada. Outubro Edições

A presença no Stand da Arco-Íris de Ziraldo, nosso talentoso escritor, cartunista, chargista, colunista, sendo organizada uma fila para crianças tirarem fotos ao seu lado.


Foto com a Sra. Claudia Bananeira, da estima dos amigos do Portal Cariri Cangaço, que adquiriu seu exemplar do Sertão Anárquico no Stand.

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GRAÇAS AO TEMPO

Por José Ribamar de Carvalho Alves

Apenas creio no tempo presente
Me fez o tempo pensar diferente
Se o futuro não pertence a gente
Chega de tempos nunca garantidos...
Graças ao tempo eu desaprendi
A reviver tudo que vivi
Até as boas lembranças perdi
Pelos caminhos dos anos vividos.

Graças ao tempo, desfruto o agora
Sem recordar o que virou outrora
Feliz ou não me vejo sem hora
De arranjar tempo para ter saudade...
Do que partiu para não voltar,
O que não volta só me faz pensar
Que o que se foi pra não regressar
Para o presente nunca foi verdade.

Se o futuro da vida é escuro
E adivinhar nunca foi seguro
Não tem futuro pensar que o futuro
Tem mais futuro do que o presente...
De acreditar, pois quem pensa desiste,
Quem teu juízo em crer não insiste
Se o amanhã, na verdade existe
Não participa da vida da gente.

O PÁSSARO E O HOMEM 
José Ribamar de Carvalho Alves

O pássaro não trai seu amor leal,
Não põe escondido outro amor no ninho
Por falta de amor, nenhum passarinho
Padece no seu mundo natural.

O homem por ter desejo carnal
Por outra, magoa quem te dar carinho
E às vezes acaba ficando sozinho
Por não ver que o mal só constrói o mal.

O pássaro não fere seu fiel amor
Trata a companheira que tem como a flor
Que recebe afago do seu jardineiro

E o homem que trai o seu bem-querer
Na desilusão, finda por não ter
Simples, nada de amor verdadeiro.

SONHOS DE PEDRA 
José Ribamar de Carvalho Alves

Os meus dias verdes
O sol do verão...
Do tempo escondeu,
Só me deixou marcas
Dos sonhos de pedra
Que a vida me deu.

Perdido no ermo
Do próprio destino
Caminho sem calma,
Das auroras vivas
Só lembranças mortas
Conduzo na alma.

No vale do nada
Nas tardes de angústias
Lanço o meu queixume
Ensaiando as sátiras,
Do meu infortúnio
Que não se resume.

A dor da revolta
De um expatriado
Não supera a dor
De quem tem mil sonhos
Mas nenhum dos mil
Dá sorte no amor.

Meus sonhos de pedra
Me desaproximam
Da realidade
Sou eu o poeta
Que deixando o mundo
Não deixa saudade.

GOSTO DE SONHAR
José Ribamar de Carvalho Alves

Desistir para quem sonha não existe
Fraquejar não condiz com insistir
Quem insiste na vida em desistir
Arrepende-se demais quando desiste
Da batalha, quem perde, volta triste
Na penumbra da dor que o intimida
Guerrear sem receio de ferida
É sonhar em vencer e se amar
Quem desiste do gosto de sonhar
Joga fora o prazer que adoça a vida.

Abrir mão da vontade de vencer
É a única maneira de deixar
De viver com desejo de sonhar
Com o dom do espírito de viver.
Deixe a vida sorrir para não perder
Os encantos que a tornam bem vivida
Ela é uma graça oferecida
Por quem tem muitas graças para dar
Quem desiste do gosto de sonhar
Joga fora o prazer que adoça a vida.

Na cadência dos dias merecidos
Deixe os olhos da alma vislumbrante
Como ave nos bosques verdejantes
Rodeada de sonhos coloridos
Ouça a voz dos seus egos, dê ouvidos
Ao chamado da fé que vence a lida
Se pensar que a vida está perdida
Pense noutra maneira de pensar.
Quem desiste do gosto de sonhar
Joga fora o prazer que adoça a vida.

AVAREZA
José Ribamar de Carvalho Alves

O poder escraviza a indigência
Por soberba e sem dó tem quem procure
Evitar que o bem comum perdure
Nas pessoas supridas de carência.
O orvalho das nuvens da prudência
Fortalece a videira da bondade
E a voz que demonstra autoridade
Cala a voz da razão da mendicância
Quem se nutre do trigo da ganância
Desconhece o sabor da caridade.

A pessoa que banha-se de poderes
Limpa o sujo nas suas vítimas limpas
Tira suas vantagens mais supimpas
Do suor e sofrer dos pobres seres
O poder que rege os afazeres
De que faz para ter dignidade
Disfarçado de dono da verdade
Orgulha-se da própria dominância
Quem se nutre do trigo da ganância
Desconhece o sabor da caridade.

Quem se mantém do sangue dos plebeus
Por não ter coração, não se espreita
Caridade não falha, quando feita
Mas império sem fim só o de Deus!
Quem apenas tem olhos para os seus interesses
Não tem humanidade
Tem apenas, no âmago, a vontade
De ter altos padrões de importância
Quem se nutre do trigo da ganância

Desconhece o sabor da caridade.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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João Bezerra X Lampião POR QUE PROFANAR A MEMÓRIA DOS MORTOS?

Por Sérgio Augusto de Souza Dantas*

Às vezes me pego pensando sobre possibilidades fáticas, critérios de lógica, metodologia histórica e coisas do gênero, principalmente quando o assunto é “cangaço” e a questão envolve seu principal protagonista, o 'Capitão' Virgulino Ferreira, o tristemente célebre “Lampião”.

Outro dia, por exemplo, lembrei-me de ouvir pela enésima vez a única entrevista que fiz com o Sr. Durval Rodrigues Rosa (ano de 2000), ex-prefeito de Poço Redondo/SE e um dos coiteiros de Lampião naquelas barrancas do rio São Francisco.

A conversa de Durval é desembaraçada, porém entremeada de gestos os mais diversos, como a ajudar a se compreender o que ele pretende contar.

Proseamos por mais de hora e meia.

A certa altura da conversa-entrevista, ele me diz o seguinte: "Na véspera do tiroteio, eu vi o tenente João Bezerra em Angico, jogando baralho com Lampião, Luís Pedro e mais outros cabras. Ele tinha ido ali deixar três sacos de munição encomendados por Lampião e ficara um pouco no coito, se distraindo no carteado”.

Recentemente eu ouvi mais uma vez a gravação da conversa e, inevitavelmente, não pude deixar de propor a mim mesmo algumas indagações, com intuito de esclarecer de uma vez dúvidas que rondam essa suposta visita do militar ao coito do cangaceiro. Creio que os confrades frequentadores deste ‘Blog’ poderão me ajudar a esclarecer algumas destas relevantes questões.

Senão, vejamos: A primeira é de ordem cronológica:

Qual seria a ‘véspera’ referida por Durval? - O dia 27 de julho de 1938, decerto. Ocorre, porém, que durante TODO ESSE DIA 27, o tenente Bezerra esteve à frente da intricada operação para atacar os cangaceiros na Grota do Angico.

É fato que quando o sargento Aniceto Rodrigues recebeu a informação do coiteiro Joca Bernardo, sobre a presença de Lampião na fazenda Angico, ainda não era meio dia.Aniceto se apressa, pois a notícia parece ‘quente’. De imediato, o militar telegrafa ao seu superior imediato, o já referido tenente Bezerra, e transmite a mensagem de forma ‘cifrada’, a fim de não levantar qualquer suspeita. Naquele fim de manhã, o oficial estaria com sua tropa estacionada em Pedra (hoje Delmiro Gouveia, alto sertão de Alagoas), descansando de uma ‘batida’ policial realizada em possíveis esconderijos de cangaceiros na região de Mata Grande.

Mantido o contato com o seu comandante, o sargento requisita um caminhão e parte de imediato até um local predeterminado por Bezerra, o sítio Riacho Seco, fincado entre a cidade de Piranhas e a antiga Vila de Pedra.

Muito bem.

Conversando, porém, com outras pessoas ligadas ao evento –como por exemplo, os cabos José Panta de Godoy e Antônio Vieira, além do sargento Elias Marques de Alencar - todos eles disseram que o tenente Bezerra estava em Pedra desde o dia 26 de julho e, o mais importante, 'dali não tinha saído para lugar nenhum, pois descansava da longa e extenuante operação realizada na região de Mata Grande'. Não só os soldados. Os Boletins Ordinários de Serviço da Polícia Militar de Alagoas, de ‘25’, ‘26’ e ‘27’ de julho de 1938, atestam a presença do tenente João Bezerra e do Aspirante Ferreira de Melo em Pedra, por ordem do comandante do Segundo Batalhão de Polícia, Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão. E agora, como ficamos?

Mas Durval fala que o tenente Bezerra esteve no coito, deixou balas e, de quebra, ainda jogou baralho com Lampião. Aí vem minha segunda dúvida:
Como Bezerra haveria feito isso? Teria ele o 'dom de desaparecer', igual ao que o sertanejo comum atribuía a Lampião?

Poderia o tenente Bezerra ter saído de Pedra, atravessado o rio São Francisco, andado cerca de cinqüenta quilômetros, subido até a Grota do Angico, jogado baralho despreocupadamente e retornado ao local onde estava a tropa estava sem que ninguém notasse sua ausência? (1) (2).

Um comandante de volante, já oficial, passaria tão despercebido assim? - ora, para cumprir esse trajeto, Bezerra levaria algumas HORAS. De fato, se o militar estava contrabandeando munição, não viajaria pela antiga estrada entre Pedra e Piranhas. Do contrário, ele se movimentaria de maneira oculta, longe de ‘vistas curiosas’, por dentro da caatinga, o que aumentaria consideravelmente esse tempo de viagem. Alguém discorda desse ponto?

Uma terceira questão: Porque o militar levaria balas para Lampião, quando já sabia, naquele dia 27 DE JULHO, que teria que atacar o cangaceiro de ‘qualquer maneira e o mais breve possível’?

Imaginaria o tenente Bezerra, ao levar a munição ao famoso chefe de cangaço, em se suicidar e, ao mesmo tempo, submeter ao sacrifício os integrantes da tropa sob seu comando? - Penso que ventilar essa hipótese não seria nem um pouco inteligente. Vender bala ao adversário? – Beira o absurdo.

Pelo meu modesto entender, essa história toda é mais um fruto nascido da imaginação popular e do prazer mórbido, arraigado e cultural do brasileiro em denegrir instituições e pessoas.

Um mínimo de lógica nos faz chegar a conclusão que um comandante de tropa não desapareceria sem ser notado e, menos ainda, faria tão longo percurso SOZINHO, pois Durval Rosa não falava em outro militar acompanhando Bezerra em Angico. ESTAVA SÓ. Muito estranho, decerto!!

Alguém chama fatos assim de 'Mistérios'. Prefiro chamar de ‘criações’ ou de ‘fantasias’. A criação de um fato inexistente,que acaba, por indução e repetição contínua, resultando em sofisma ou em um silogismo viciado.

E essa história em torno do envolvimento de Bezerra com Lampião tem rendido.....aqui e ali ela volta à tona. O Sr. Durval Rosa, convenhamos, tinha as suas próprias razões para tentar implicar o oficial, pois a volante comandada por este, na fatídica madrugada de 28 DE JULHO, “exagerou no trato” para com ele e também para com seu irmão Pedro. Responsabilizar Bezerra como um dos fornecedores de munição para o capitão-cangaceiro seria uma forma “até mais ou menos justificada” de se vingar, posteriormente, do oficial e de seus comandados.

Mas, mesmo na atualidade, não são poucos os que encampam essa teoria e saem apregoando o disparate aos quatro ventos.  E eu pergunto: porque atingir tanto a honra de um morto? Qual a grandeza que há nisso?
E mais um detalhe: eu já li inúmeros depoimentos de ex-cangaceiros e até mesmo já cheguei a entrevistar alguns deles nesta última década.

Os que falam sobre o assunto dão a entender que a munição usada pelo bando vinha por intermédio da própria da polícia. Ninguém disse uma mínima palavra que pudesse envolver poderosos Coronéis sertanejos.

Isso é razoavelmente recorrente nos depoimentos. Porque razão estes senhores foram sempre omitidos pelos cangaceiros? Seria falsa – ou mítica - a relação ‘coronel e cangaceiro’?
E eu lanço mais uma questão: Como essas balas seriam fornecidas pela polícia? Diversos combatentes militares (dentre os quais, Joaquim Góis, José Rufino, etc..) afirmaram que, após terem lutado, viam com freqüência que as balas usadas pelos cangaceiros “eram INFINITAMENTE MAIS NOVAS” que aquelas que a própria polícia usava. Diferença, por vezes, de até quinze anos entre elas. Como as balas seriam novas para os cangaceiros e velhas para o corpo militar?

A assim aceitar esta teoria, é referendar a seguinte premissa: “a polícia negociava as balas novas e ia para o campo brigar com as velhas”! Não há outra conclusão disponível. Ou, de outra forma: “os militares vendiam as balas novas e se lançavam em uma cruzada suicida, usando balas até QUINZE ANOS MAIS VELHAS que as que eram supostamente vendidas aos cangaceiros”. Seriam estúpidos assim? Estranho mesmo esse detalhe. Bizarro, diria. Aliás, alguém com um pouco de lucidez já percebe de cara esse descompasso. É patente e lógico demais.

E um outro aspecto: TODAS as balas recebidas por chefes de volantes tinham que ser, periodicamente, conferidas pelo comandado através de um relatório. O responsável teria que, obrigatória e periodicamente, apresentar uma relação (através destes relatórios) constando a munição recebida, a que foi gasta em combate e, ainda, informar o que tinha disponível para uso naquela data. Tudo era rigorosamente chegado, notadamente depois da Revolução de 1930. Controle absoluto das entradas e saídas de munição.

A coisa não parece tão simples como se conta.

O que quero dizer com isso tudo? - Simples: que já é mais que hora de deixar de lado essa tendência de atacar graciosamente - e sem provas - as instituições do país (às vezes somente à custa de uma interpretação ideológica já de muito ultrapassada) e CUIDAR DA HISTÓRIA REAL, desnuda de fantasias e baseada em rigoroso MÉTODO HISTÓRICO, para que os vindouros possam ter uma visão plena, imparcial e aceitável dos fatos, e não uma imagem distorcida propositalmente, nascida da simples vontade de denegrir!

Abraço a todos e votos de um Feliz 2010.
Sérgio Dantas .'.
NATAL/RN

NOTAS:

(*) Sérgio Augusto de Souza Dantas é bacharel em Direito, pesquisador independente e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008).

(1) A distância referida foi calculada com base em dados fornecidos por GPS. A medicação exata acusou 49,67 quilômetros em ‘linha reta’, de um ponto a outro.

(2) Em “Assim Morreu Lampião”, de Antônio Amaury Correa de Araújo, 1ª edição, 1982, pg. 101., Durval diz apenas que Bezerra ‘teria mandado as balas em dois sacos’. Não afirma que o viu no esconderijo. Com o correr dos anos, talvez pela confusão natural causada pela idade, a testemunha coloca o oficial em um animado carteado com Lampião e aumenta para três o número de sacos. É importante o estudioso estar atento a detalhes desse tomo.

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