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segunda-feira, 22 de junho de 2020

A SANTA BAIANA NO TEMPO DE VOLTA SECA: SANFONEIRA, IRMÃ DULCE QUANDO JOVEM VISITAVA PRESÍDIOS E ATENDEU ATÉ CANGACEIRO DE LAMPIÃO


Arquivado em (Artigos) por vitor

UOL/FOLHA

Iniciativa da religiosa de tocar sanfona para detentos a aproximou do ‘cabra’ conhecido como Volta Seca

João Pedro Pitombo
Salvador

Enquanto Irmã Dulce dava os seus primeiros passos em seu trabalho social nos anos 1930, cangaceiros aterrorizavam cidades do sertão baiano. Eis que em 1939 cruzaram-se os caminhos da freira que se tornará santa da Igreja Católica e do jovem que entrou para a história como um dos mais sanguinários “cabras” do bando de Lampião: Antônio dos Santos, o Volta Seca.

Ele tinha 21 anos, e a freira, 23, quando se encontraram pela primeira vez no presídio Engenho da Conceição, prédio que, nos anos de 1950, ficaria conhecido como a Penitenciária da Coreia. O apelido foi dado pelas condições do presídio, que refletiam o cenário da guerra que assolava o país asiático.

Foi naquela época que, enquanto se dedicava ao Círculo Operário da Bahia, Irmã Dulce decidiu fazer visitas semanais ao presídio para levar conforto espiritual, alimentos e remédios aos detentos.

Ela será canonizada neste domingo (13), em cerimônia chefiada pelo papa Francisco, no Vaticano, após ter dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica. Irmã Dulce (1914-1992) será a primeira santa brasileira.

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, aos 18 anos, mais conhecida como Irmã Dulce – Acervo Memorial Irmã Dulce.

“Irmã Dulce caminhava em meio a um hiato social que existia naquela época. Ela atuou em prol das pessoas mais desprotegidas da sociedade”, afirma o jornalista Valber Carvalho, que pesquisa a vida da freira desde 2013 e prepara uma biografia sobre ela.

Para cumprir sua missão de evangelização, a freira ia para a penitenciária com a sua sanfona, instrumento que aprendeu a manejar na juventude, e tocava para os detentos no pátio.

“Ela usava o lúdico como instrumento de regeneração. Buscava resgatar a dignidade dos presos com a música”, diz Osvaldo Gouveia, chefe da Assessoria de Memória e Cultura das Obras Sociais Irmã Dulce.

As modinhas aproximaram Irmã Dulce e Volta Seca, que também gostava de música e chegou a gravar um disco com canções ligadas ao cangaço depois de deixar a cadeia. O LP incluía canções como “Mulher Rendeira” e “Acorda Maria Bonita”.

Nascido em Sergipe em 1918, Volta Seca passou a integrar o bando de Lampião quando tinha apenas 11 anos. Começou lavando e escovando os cavalos dos cangaceiros e ganhou notoriedade ao fazer parte do grupo que participou da chacina de Queimadas, cidade do norte da Bahia.

O massacre aconteceu às vésperas do Natal de 1929, quando Lampião e 15 de seus homens mataram sete policiais que faziam a guarda da cidade e roubaram 22 contos de réis (algo como R$ 550 mil, em valores estimados). Ao fim do saque, Lampião ordenou que fizessem um baile em sua homenagem.

Volta Seca foi capturado e preso em 1932, aos 15 anos, e levado para Salvador. Já era um cangaceiro famoso e foi recebido por cerca 2.000 pessoas na estação ferroviária de Periperi antes de seguir para a penitenciária.

Volta Seca, cangaceiro integrante do bando de Lampião, fotografado em entrevista na penitenciária de Salvador; imagem publicada na revista O Cruzeiro, de 1944 –Reprodução – José Brito/Revista O Cruzeiro.

Em 1944, chegou a fugir da prisão após serrar as grades da cadeia e escapulir por uma fresta entre fios elétricos no muro do presídio. “Em pouco mais de 20 dias, fui a pé da Bahia até Sergipe”, narraria o cangaceiro em entrevista ao jornalista Joel Silveira. 

Condenado a 145 anos de prisão, teve pena posteriormente reduzida para 20 anos. Em 1952, recebeu o indulto do presidente Getúlio Vargas. Nas tentativas de reduzir a pena, Volta Seca diz ter apelado para Irmã Dulce, que teria intercedido por ele junto às autoridades, conforme narrou em entrevista ao Diário da Noite, do Rio de Janeiro.

“Há uma figura nobre que tem olhado esse meu caso. É a Irmã Dulce, freira do Círculo dos Operários. É a santa criatura que constantemente intercede por nós aqui na penitenciária. Prometem a ela, mas nada cumprem. O senhor vê que nem a figura dos santos consegue ajeitar a boa vontade dos homens”, disse.

 Irmã Dulce continuaria sua rotina missionária nos presídios até 1954, quando foi proibida de frequentar a penitenciária da Coreia. O episódio foi registrado pelo jornal “A Tarde”, que criticou a decisão.

“Não seriam por demais fortes os quadros de horror ali desenrolados para que pudessem ser vistos pela jovem e estimada sóror baiana, já acostumada com eles em suas caminhadas dias e noites pelos locais mais desoladores da capital? A razão na proibição não se conhece, mas parece incrível que se prive os presos do conforto da caridade”.

Cinco anos depois, a freira fundaria as Obras Sociais Irmã Dulce, projeto ao qual se dedicou até morrer em 1992.

Já Volta Seca, que morreu em 1997, casou-se, teve filhos, enfrentou dificuldades para conseguir trabalho até conquistar um emprego na estrada de ferro Leopoldina, em Minas Gerais. Deu inúmeras entrevistas sobre sua vida e até atuou como crítico do filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto.

Em seus 20 anos na cadeia, conseguiu juntar oito contos de réis trabalhando na prisão. Ao ser solto, conta o escritor Oleone Coelho Fontes no livro “Lampião na Bahia”, Volta Seca recolheu o dinheiro e fez tal qual faria Irmã Dulce: doou tudo aos pobres.


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VOLTA SECA O MAIS JOVEM E O MAIS TEMIDO CANGACEIRO


Por Milton Parron

Antonio dos Santos vulgo Volta Seca, sergipano de Itabaiana, ingressou no bando de Lampeão quase menino para escapar às surras diárias que sua madrasta lhe aplicava. Pode se dizer que pulou da frigideira e caiu no braseiro porque começou a ser surrado por Lampeão e pelos demais por causa de suas peraltices, próprias da idade. Suas funções se limitavam a dar banho nos cavalos, lavar louça e roupa suja e também espionar nas cidades se havia muitos policiais em ronda. Tanto apanhou que acabou se tornando um dos cangaceiros mais violentos de todo o bando. Astuto, corajoso e agressivo, em contraste com uma grande sensibilidade artística. Apesar de semi alfabetizado, escrevia com grande facilidade versos e também compunha músicas que o bando inteiro conhecia e entoava com entusiasmo quando estava acampado em alguma fazenda sob proteção do próprio dono. Ouçam, clicando abaixo, Volta Seca cantando dele próprio uma das músicas que os cangaceiros mais gostavam, chamada Acorda Maria Bonita:

Volta Seca foi preso 3 vezes, tendo fugido nas duas primeiras. Foi sentenciado a 145 anos, mais tarde a pena foi reduzida para 30 e finalmente para 20, não a tendo cumprido integralmente porque o presidente Getúlio Vargas lhe concedeu o perdão, em 1954. O cangaceiro Volta Seca morreu em 1997 em Leopoldina, Minas Gerais, onde estava morando. Ele é um dos personagens do programa Memória onde está sendo apresentada uma série especial sobre o cangaço no Brasil. Memória vai ao ar pela rádio Bandeirantes em 840 AM, e em FM 90,9, aos sábados às 23hs00 com reprise aos domingos às 05hs00.

Milton Parron

Milton Parron começou a carreira em 1960 e testemunhou os grandes acontecimentos policiais, esportivos, políticos e culturais em São Paulo e no Brasil. É um dos maiores repórteres da história do rádio brasileiro.


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RAPTADA PELO BANDO DE LAMPIÃO, MULHER DE 96 ANOS PASSOU JUVENTUDE NO CANGAÇO

Por Estadão Conteúdo
Dulce Menezes dos Santos é a última sobrevivente do grupo de Lampião

É o trauma de uma violência sofrida há mais de oito décadas por uma mulher que torna bem vivo o tempo do cangaço numa pequena casa do Jardim Márcia, na periferia de Campinas (SP). Na cidade muito longe do sertão - pelo menos na geografia - mora Dulce Menezes dos Santos, de 96 anos, violentada na adolescência por um integrante do grupo de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, arrancada da família e levada para a vida nômade na caatinga.

O começo de tarde paulista é frio para a senhora de corpo franzino e cabelos compridos, que acordou da rápida sesta. Ela chega à sala para a conversa com a equipe de reportagem. Antes mesmo de sentar no sofá, comenta: "O sonho da gente não esquenta mais, não". O lamento vem junto com um leve sorriso. A filha caçula, Martha, diz: "Tá faltando carne entre esses ossinhos, mãe".

Dulce se ajeita no sofá, com ajuda da filha. Martha conta que a mãe sempre evitou visitas e não esconde incômodo com janelas e portas abertas - por onde entram o frio e também a violência. Antes de toda pergunta, solta uma frase que repetirá a cada resposta dada e a cada interrupção na longa conversa. "Infelizmente aconteceu isso contra minha vontade. Não fui porque quis ir."

Era filha de trabalhadores de uma fazenda de algodão em Porto da Folha, Sergipe. Tinha quatro anos quando um besouro mordeu a mãe, Maria, que não resistiu. O pai, Mané João, dizem, morreu de saudade seis anos depois. A menina foi morar com a irmã Mocinha, em Piranhas, Alagoas, depois na fazenda de outra irmã, Julia, e do marido dela, João Felix.

O lugar servia de rancho de cangaceiros que adentravam o sertão. Ela estranhou os homens de roupas de tecido grosso, cor de folha seca, cintos pregados de moedas, chapéus de couro de aba para trás e com estrelas bordadas e bornais floridos. E bem armados. Um dos que frequentavam a fazenda era o cangaceiro João Alves da Silva, o Criança. Ao ver aquela menina num canto, acabrunhada, negociou a compra dela com João Felix por um bornal de joias.

Criança avisou a João Felix que levaria Dulce numa festa que seria organizada pelo amigo cangaceiro Zé Sereno, numa fazenda vizinha. João Felix levou a mulher, Julia, e a cunhada. Criança não esperou para se aproximar da menina, que estava na casa da fazenda. Dulce já se assustou quando o cangaceiro entrou. "Tu vai ali comigo, Dulce."

Ele a puxou pelo braço, arrastando para fora. "Cala a boca, se não te sangro agorinha mesmo." Do lado de fora, a jogou no chão. Entre pedregulhos e espinhos, Dulce foi violentada e os convidados assistiram em silêncio. O cangaceiro passou a noite vigiando a "mercadoria". A música continuava e o som da sanfona e do triângulo sufocava os soluços de Dulce. Arrependido, João Felix temia que Criança, ao fim da festa, levasse Dulce embora. "Num vou desperdiçar bala em tu não, homem", disse o cangaceiro, com desprezo, segundo Dulce. "Esse cara me carregou."

Beira do rio

Naquele tempo, Dulce flertava com Pedro Vaqueiro, garoto de Piranhas. Eles brincavam na beira do São Francisco. "Eu era novinha, de 13 para 14 anos, uma criança", lembra. A violência vai e volta no relato de Dulce. "Fui a pulso, arrastada, se não morria. O apelido dele era Criança (o nome do agressor sai mais forte na voz dela). Deus queria que eu estivesse aqui agora, conversando com vocês", conta. "Com parabellum (pistola) na mão. E com medo de morrer, acompanhei."

A notícia do rapto chegou a Piranhas. Pedro Vaqueiro se desesperou. Dizem que ficou desnorteado, sem rumo. Saiu de casa, desapareceu, relata Martha. A história daqueles dias está num livro escrito pelo professor baiano Sebastião Pereira Ruas, que foi casado com Martha. Dulce, a boneca cangaceira de Deus foi escrito na forma de novela típica dos velhos contadores. O texto simples traz luz ao debate sobre a violência contra a mulher no cangaço. A venda é para ajudar Dulce.

Massacre

Em 27 de julho de 1938, Dulce estava num acampamento na Grota do Angico, Sergipe. Ali, Lampião reuniu diversos subgrupos que agiam sob seu controle na caatinga, em roubos, saques, achaques e agiotagens. Foi quando Dulce, adolescente, esteve mais perto de Maria Gomes de Oliveira, de 27 anos, a mulher de Lampião, que ficou conhecida por Maria Bonita. "Era boa pessoa a Maria. Ficamos poucos dias juntas. Lampião tinha uma turma, Criança tinha outra, Balão tinha outra. Se vivesse tudo junto, a polícia descobria pelo rastro. Agora, nesse dia estava todo mundo junto. Tinha de acontecer, graças a Deus."

À noite, Maria chamou Sila e Dulce para conversar. Na conversa, elas viram, na caatinga escura, uma luzinha amarela, que piscava longe. Chegaram a pensar que era vaga-lume. Foram dormir sem falar para os homens sobre a luminosidade.

Bando de Criança. Ao centro a Dulce Menezes

Pela manhã, Dulce levantou com os gritos de Criança. Uma volante - grupos de policiais formados para combater cangaceiros - tinha cercado o grupo. Em meio a tiros, ela ouviu a voz de Maria Bonita, baleada, diante do corpo de Lampião. Dulce, Sila e Enedina correram. Um tiro de fuzil acertou a cabeça de Enedina, miolos respingaram em Dulce, que conseguiu escapar juntamente com Criança e outros 21 cangaceiros.

Cabeças dos cangaceiros mortos em Angico-SE.

"No combate em que mataram Lampião e Maria Bonita, eu estava. Nenhuma bala pegou em mim. Morreu um bocado. Já esqueci quantos morreram", conta - 11 cangaceiros e um soldado morreram. "Era tiro demais. Gente caindo, entrando pelas pernas, passando em cima de cabeças. Escapou quem tinha de escapar, porque nunca vi tanto tiro na vida, meu filho." A notícia da emboscada chegou rápido a Piranhas. Parentes de Dulce foram ver se a cabeça da menina estava em exposição na escadaria da prefeitura.

Escritor João de Sousa Lima

O historiador João de Sousa Lima, de Paulo Afonso, na Bahia, desenvolve um trabalho para localizar sobreviventes do cangaço, em especial mulheres. Os relatos delas mostram que a história de crueldade do bando de Lampião ou das volantes encobriu a da violência contra mulheres do grupo. Uma semana antes do massacre de Angicos, Cristina foi assassinada por querer trocar de companheiro. Também foram mortas de forma trágica pelo próprio grupo Lídia, Lili e Rosinha.

2º esposo da ex-cangaceira dona Dulce Menezes o João Anastácio Filho - Foto que me foi gentilmente enviada pela filha da Dilce Menezes Martha Menezes.

Mulher de prefeito

Embrenhado na caatinga, o grupo sobrevivente de Angico decidiu se entregar à polícia. "Aí acabou", diz Dulce. O ditador Getúlio Vargas concedeu anistia aos cangaceiros. Criança e Dulce, nesse tempo, tiveram dois filhos. Foram trabalhar na fazenda de João Anastácio Filho, o Jacó, na região de Jordânia, Vale do Jequitinhonha, em Minas.

O livro destaca que Jacó era influente. Casado, decidiu se aproximar de Dulce. Pôs Criança para atuar como tropeiro e, assim, começou a afastá-lo da fazenda. Depois de uma longa viagem, Criança foi alertado por companheiros que era melhor ir embora. Ele levou os dois filhos. Do casamento com Jacó, Dulce teve outros 18 filhos. Anos depois, ele foi eleito prefeito de Jordânia, hoje com 10 mil habitantes. "Foi o tempo que fui feliz. Por enquanto estou aqui, até a hora que Deus me levar. Graças a Deus nunca maltratei ninguém", diz. "Agora essa turma do Lampião, meu Deus do céu, quando queria pegar mulher, se não fosse, eles matavam."

Dona Dulce Menezes e seu João Anastácio Filho

Com a morte de Jacó Dulce foi morar com a filha Martha em Campinas. A cidade grande também seria de privações. Viu filho e netos serem assassinados. Ela volta a falar do sertão e do cangaço. "Acabou. O Norte está sossegado, não está?"

Serviço:

DULCE, A BONECA CANGACEIRA DE DEUS
Autor: Sebastião Pereira Ruas
Editora: Lexia, 227 páginas
Preço: R$ 45
O livro é vendido por Martha Menezes pelo telefone 019-988726588.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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domingo, 21 de junho de 2020

REDEMPÇÃO EM PERNAMBUCO


Por Gaspar Vieira Neto/Facebook

Foto publicada na revista amazonense "Redempção",em 1926,que mostra a população da localidade de Rio Branco (atual Arcoverde)com armas em mão, na espera do bando de Lampião.


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2ª EDIÇÃO FLORO NOVAIS HERÓI OU BANDIDO?


Mais um livro na praça: FLORO NOVAIS: Herói ou Bandido? De Clerisvaldo B. Chagas & França Filho. Este livro estará disponível a partir de amanhã no Cariri Cangaço São José do Belmonte e segunda feira dia 15/10 Para todo Brasil. 

Preço a combinar com Francisco Pereira Lima - 124 páginas. 
Franpelima@bol.com.br 
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e Whatsapp 83 9 9911 8286.

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JOÃO DE SOUSA LIMA MUSEU CASA DE MARIA BONITA

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MARIA BONITA JOÃO DE SOUSA LIMA

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JOÃO DE SOUSA LIMA CASA MARIA BONITA

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JOÃO DE SOUSA LIMA, CASA DE MARIA BONITA SE TRANSFORMA EM MUSEU EM PAULO AFONSO, NA BAHIA - ...


CARYBÉ, HÉCTOR. CANGACEIROS. 1985. VCSE, 50X35CM.

Por Beto Rueda


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LAMPIÃO E O IRMÃO JOÃO FERREIRA


Osvaldo Abreu (Abreu)
Alto da Compadecida, 19 de junho de 2020

João, pare com esta besteira,
A vida no cangaço é caminho sem retorno,
É de faca, punhal, fuzil e peixeira,
Se eu me entregar eu morro.
A volante quer minha caveira,
Eu sou troféu, réis, contos e ouro.

A volante que me ataca,
Deseja meu fim.
Vivo enterraram o pobre Jararaca
Em Mossoró, não devia morrer assim.
A seca traz a desgraça,
Tanta gente a julgar a mim.

Da autoridade cobrei providência,
Saturnino ficou rindo de mim,
Tinha eu uma vida de decência.
Fui almocreve no sertão sem fim.
De Deus a gente não pode perder a crença
Justiça só divina, trazida pelo anjo querubim.

João, não quero que entre no cangaço,
Já perdemos nossa mãe e no pai,
Você cangaceiro não há espaço,
Cangaço é correria, guerra e sem paz.
Meu irmão, eu lhe dou uma abraço.
Você cidadão a família não se desfaz.

É preciso cuidar de nossas irmãs,
Saudade, saudade de Mocinha...
O galo que que cantava bem de manhã,
No terreiro, ciscavam as galinhas.
Corria o carneiro de muita lã.
0 pote matava a sede, ficava na cozinha.

João, João, aqui já não posso ficar,
Desejava ficar mais tempo,
Vida de cangaceiro é de pouco demorar.
Tem que correr como vento.
Foi bom lhe encontrar em Propriá.
1927, hei de sempre lembrar o momento.

Fotos:
De Benjamin Abraão - 1926 - LAMPIÃO;
Revista O Cruzeiro - 1953 - JOÃO FERREIRA descendo do barco para visitar o Massacre de Angico


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QUE NEM DIRIA O MESTRE E AMIGO EMERY JUSSIER COSTA...


Por Kydelmir Dantas

Domingo, 21/06/2020... Que nem diria o mestre e amigo Emery Jussier Costa Costa, dia de amenidades. 


Por falar nisto, Emery Jussier Costa Junior lembrar de uma daquelas AMENIDADES dele, que temperou o que ouviu com o molho do humor. Mas, que nem o personagem Chicó, do Auto da Compadecida, eu direi: "Num sei... Só sei que foi assim."


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ELKE GRUNUPP


Por Rubens Antonio 

Colorizei uma bela e conhecidíssima mulher... como ela era, quando jovem. Já falecida, agora... Perguntei se alguém identificava... Já identificaram. Elke Grünupp, conhecida por seu nome artístico Elke Maravilha.


"Eu sou o preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música a mais velha
Mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar"


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DE SACO TORTO A ESTRELA DALVA: A TRAJETÓRIA DO CANGACEIRO VOLTA SECA (1918-1997)


Prof. Francisco José Alves (Departamento de História-UFS)
fjalves@infonet.com.br

Há exatos 100 anos, aos 13 de março de 1918, nascia em Saco Torto, então povoado da vila de Itabaiana, Antônio dos Santos. Onze anos depois, ingressa no bando de Lampião e dele recebe a alcunha de “Volta Seca”. Surge, assim, o cangaceiro menino, destacado por sua violência e crueldade. Vejamos algumas datas da trajetória desse famigerado sergipano. 

1918 -13 de março: Nasce em Saco Torto (atual povoado de Malhador-se) Antônio dos Santos, sexto filho de Manuel Antônio dos Santos e Herminia Maria.

1927: Aos nove anos, Antônio dos Santos foge da casa do pai em Saco Torto e Perambula pelo interior de Sergipe. Fixa-se em Simão Dias-Se. Por este tempo vive de vender doces ou de carregar água. A fuga de casa, conforme Antônio dos Santos, deveu-se a uma briga entre ele e sua madrasta que maltratava sua irmãs.

1927: Antônio dos Santos comete o seu primeiro homicídio. Assassina, em Macambira- Sergipe, Miguel Lago por haver este abusado de uma irmã de Antônio.

1929: Antônio dos Santos, com onze anos, ingressa no bando de Lampião. O fato ocorre no Povoado Guloso (hoje Novo Triunfo-Bahia), onde Antônio fazia pequenos serviços. Lampião lhe dá a alcunha de “Volta Seca.”.

Participa, como cangaceiro, do seu primeiro embate com a polícia. O episódio ocorre em Mirandela-Bahia. Nele, o cangaceiro menino, a conselho de Lampião, sangra um soldado ferido: “Ande cá, muleque. Fura aqui este ‘macaco’, pra tu te acostumar” – teria dito Lampião.

1929 – 25 de novembro: Com Lampião e outros cangaceiros, invade Capela-Se. Os bandidos passam na cidade cerca de 12 horas.

1929 – 22 de dezembro: Então “favorito” de Lampião, participa da chacina de “sete praças da força pública” de Queimadas-Ba. O fato choca profundamente a opinião pública nacional exigindo reação.

1931: Após se desentender com Lampião, Volta Seca deixa o bando e passa a perambular pela Bahia.

1932 – 19 de fevereiro: Então em Bonfim-Ba, é preso por populares e enviado para a penitenciária de Salvador.

1932 – março: Detido na penitenciária de Salvador-Bahia, é examinado pelo médico legista Arthur Ramos (1903-1949). O legista define o criminoso como produto de fatores externos e psíquicos. Invoca a psicanálise de Sigmund Freud e a criminologia para explicar o adolescente cangaceiro.

Em Salvador, é submetido a um “exame radiológico especial” para dirimir a sua verdadeira idade. O evento – diz uma notícia da época – “provocou a curiosidade de grande massa popular”.

É entrevistado pelo jornal carioca O Malho. Posa para fotografia simulando a leitura do jornal. O jornalista escreve que o cangaceiro “é doido pelas figurinhas de “O Tico Tico” e possui “alma infantil”.

1932 – setembro: O jornal carioca O Globo noticia que Volta Seca esta “gravemente enfermo”. O diagnóstico é “uma gripe intestinal”. O médico do presídio, todavia, declara que o bandido está fora de perigo.

1932 – dezembro: Da casa de detenção de Salvador- Bahia, é enviado para Bonfim-Ba onde responde pelo primeiro delito.

1936 – 20 de novembro: Após cumprir pena de 4 anos na cadeia pública de Bonfim-Ba, é reconduzido para a penitenciária do Estado da Bahia, em Salvador-Ba.

1937: Toma conhecimento do romance de Jorge Amado (1912-2001), Capitães da Areia, no qual o ex-cangaceiro é retratado como reles menor bandido. O retrato muito o desagrada e ele “promete” fazer o romancista “engolir” as páginas do jornal nas quais o romancista fazia declarações sobre o assunto.

1938 – agosto: Após sete anos de prisão, revela ao repórter de O Radical, do Rio de Janeiro, que na cadeia aprendeu a ler e escrever e também o ofício de alfaiate.

1944: Volta Seca com Manuel Porfírio fogem da penitenciária de Salvador.

1944 – fevereiro: Fugitivos, Volta Seca e Manoel Porfírio assaltam casas de lavradores em São Sebastião de Catu – Bahia.

Se deslocando a pé, chegam até a cidade de Santa Luzia, em Sergipe, distante 244 km de Salvador, após 20 dias de viagem.

1944 –fevereiro: No Rio de Janeiro, Arthur Ramos relembra o seu contato com Volta Seca 12 anos atrás (1932). Diz o médico: “Acompanhei os primeiros tempos de Volta Seca na penitenciária do Estado. Sempre o mesmo menino dócil, inteligente e apto a aceitar qualquer aprendizagem”.

1944 – novembro: Após ser recapturado, Volta Seca e mais outros cinco ex-cangaceiros presos na penitenciária de Salvador, concedem longo depoimento ao jornalista sergipano Joel Silveira (1918-2007).  Na ocasião, ele posa para o fotógrafo de O Cruzeiro, José Brito e pede: “Quero ser fotografado na janela olhando para fora, com a cara triste”.

1946 – 18 de agosto: Foge pela segunda vez da penitenciária da Bahia.

1948 – 7 de abril: Declara à imprensa que Maria Bonita estava viva e que se encontrara com ela numa de suas fugas.

11 de abril: O capitão João Bezerra (1898-1970), chefe da operação de Angico (Poço Redondo-Se), desmente a declaração de Volta Seca que Maria Bonita não fora morta junto com outros bandoleiros. Diz o militar: “Não atino porque Volta Seca vem agora [dez anos depois] com essa invencionice”.

1951: Indultado por Getúlio Vargas sai da casa de detenção de Salvador – Bahia onde cumprira 20 anos de pena.

1952 – 20 de novembro: Imprensa Nacional noticia o assassinato de Volta Seca. O crime teria ocorrido em Bom Jesus da Lapa-Bahia. Volta Seca, então visitando Aracaju, diz-se surpreso com a falsa notícia.

1952: Colabora com o cineasta Lima Barreto na feitura do filme O Cangaceiro, produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Paulo. O filme tinha roteiro de Lima Barreto e Rachel de Queiroz.

Obs: Volta Seca não consta na ficha técnica do filme.

1953: Muda-se para o Rio de Janeiro a convite de um Jornal. Desassistido e sem emprego, o ex-cangaceiro enfrenta dificuldades. Auxiliado por alguns jornalistas Volta Seca busca “emprego honesto”. Faltam-lhe, no entanto, documentos.

1954 – Janeiro: No Rio de Janeiro e desempregado, Volta Seca se desilude com a cidade. A mulher está doente. Pensa em voltar para o nordeste onde, segundo ele, “os corações não são de pedra”. A esperança de um lugarzinho ao sol parece remota para o ex-cangaceiro.

1956: É admitido na Rede Ferroviária Federal na função de “guarda trilhos”.

1957: Lança, pela gravadora Todamérica do Rio de Janeiro, o long play Cantigas de Lampião.

1958 – novembro: Concede ao jornalista Bruno Gomes longo depoimento que é publicado pelo O Globo, do Rio de Janeiro. Trata-se da mais longa entrevista concedida por ele e a mais rica em episódios da sua trajetória até então.

1969 – julho: Volta Seca e Dadá (Sérgia da Silva Chagas) participam do programa “O advogado do diabo” do jornalista Leopoldo Heitor.

Dadá faz veemente defesa de Lampião considerando o bandido “um verdadeiro santo”. Dadá ainda nega que Volta Seca seja o autor de “Maria Bonita”. Para ela, o ex-cangaceiro fez mera adaptação de peças já existentes.

1969 – 25 de outubro: Volta Seca conhece Expedita Ferreira Messias, filha de Lampião e Maria Bonita. Expedita vem ao Rio para o lançamento do livro Táticas de Guerra dos Cangaceiros, de Cristina Mata Machado. Além de Volta Seca e Expedita, dois outros ex-cangaceiros faziam parte da comitiva: “Labareda” e “Criança”.

1971: Conhece Isaura dos Santos com quem irá casar.

1973 – setembro-outubro: Concede longa entrevista ao famoso jornal “alternativo” O Pasquim, do Rio de Janeiro. Na entrevista, faz um histórico de sua vida.

1982: Volta Seca e família mudam-se para Estrela Dalva-Mg, pequena cidade da zona da mata de MG.

1995 – agosto: Concede entrevista ao jornalista Luiz Carlos Lourenço, do Globo-Rio. O ex-cangaceiro, diz a reportagem, “vive modestamente numa cazinha do centro da cidade”. Ganha uma aposentadoria de 300 reais e mais alguns trocados dos direitos autorais (musicais). Naquele momento, o seu sonho é comprar um fusquinha usado. A sua diversão é a pesca e a briga de galos.

1996 – abril: Grava depoimento em vídeo para o Museu da Imagem e do Som – RJ. O vídeo foi financiado pelo comerciante José Ribeiro Farace, amigo do ex-cangaceiro.

1997 – 2 de fevereiro: Vítima de um enfisema pulmonar aos 78 anos, falece Volta Seca em Estrela Dalva-MG.

Fontes:

História de Volta Seca. O Pasquim, Rio de Janeiro, n. 221, set-out de 1973.
Nonnato Masson. Fui cabra de Lampião. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de julho de 1962, p.18. Volta Secca fala sobre o cangaço. O Radical, Rio de Janeiro, 3 de agosto de 1938, p. 3.
Ranulfo Prata. Lampião. São Paulo: Traço Editora, 1980. p. 87 (1ª edição de 1934).
O Banditismo no nordeste. Diário Carioca, Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 1932, p. 1.
Felipe de Castro. A derrocada do cangaço. 2ed. Salvador: Assembleia Legislativa, 2008, p. 74.
A prisão de Volta Seca. A Tarde, Salvador, 1 de maio de 1932, p. 1).
Nonnato Masson. Fui cabra de Lampião [Depoimento de Volta Seca] Jornal do
Brasil, Rio de Janeiro, 18 de julho de 1962, p. 18.
Volta Seca (…). Entrevistado… O Malho, Rio de Janeiro, 28 de maio de 1932, p. 29).
Diário Carioca, Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 1932, p. 2).
Volta Seca foi condenado a 30 anos de prisão. Diário da Noite, Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1936, p.2.
Volta Seca está doente na prisão. O Globo, Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1932, p. 4.
Arthur Ramos. Perfil Antropológico de Volta Secca. A Noite, Rio de Janeiro, 22 de março de 1932, p. 2.
Reduzindo o Bando de Lampião. O Globo, Rio de Janeiro, 13 de maio de 1932, p. 4.
Volta Seca já fazia até flores e tricô. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1944, p. 8.
Joel Silveira. A mesa redonda dos cangaceiros. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1944, p. 40-41.
Volta Seca retorna ao cangaço. O Globo, Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1944, p.6.
Volta Seca – um enigma para a psicanálise. O Globo, Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 1944, p.7.
Maria Bonita ainda vive? O Globo, Rio de Janeiro, 7 de abril de 1948, p. 7.
Maria Bonita morreu mesmo. O Globo, Rio de Janeiro, 12 de abril de 1948, p. 3.
Fuga sensacional de Volta Seca. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 1946, p. 8.
Volta Seca fugiu de novo. O Globo, Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 1946, p. 6.
História de Volta Seca. O Pasquim, Rio de Janeiro, n. 221, set-out de 1973.
Volta Seca será solto. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 25 de março de 1952, p. 1.
Em liberdade o ex-cangaceiro Volta Seca. O Globo, Rio de Janeiro, 4 de abril de 1952, p. 7.
História de Volta Seca. O Pasquim, Rio de Janeiro, n. 221, set-out de 1973.
O cangaceiro. Em: Dicionário do cinema brasileiro. São Paulo: Martins Fontes, 2013, p. 263.
Volta Seca surpreso com sua morte. O Globo, Rio de Janeiro, 22 de novembro de 1952, p. 7.
Volta Seca quer emprego. Lavoura e Comércio, Uberlândia – MG, 4 de dezembro de 1953, p.1.
Nonnato Masson. Fui cabra de Lampião. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de julho de 1962, p.18.
Lavoura e Comércio, Uberlândia-MG, 26 de janeiro de 1954, p. 1.
Ex-cangaceiro espera vencer como compositor. Diário da Noite, Rio de Janeiro, 7 de julho de 1971, p. 15.
Volta Seca. Cantigas de Lampião. Rio de Janeiro: Todamérica, 1957.
Dadá defende Lampião. Diário da Noite, Rio de Janeiro, 22 de julho de 1969, p.2.
Bruno Gomes. Volta Seca, O Globo, Rio de Janeiro, 3 a 29 de novembro de 1958.
Aziz Filho. O legado do cabra que desafiou Lampião. O Globo, Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1997, p.16.
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Aziz Filho. O legado do cabra que desafiou Lampião. O Globo, Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1997, p.16.
Luiz Carlos Lourenço. Ex-cangaceiro sonha em comprar fusca. O Globo, Rio de Janeiro, 6 de agosto de 1995, p. 17.
Aziz Filho. O legado do cabra que desafiou Lampião. O Globo, Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1997, p.16.
Volta Sêca recebe no Rio a filha de seu Chefe Lampião. Diário da Manhã, Rio de Janeiro, 26-27 de outubro de 1969, p. 7.


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