No município de Flores-PE, ainda hoje existem resquícios da
passagem dos bandos de cangaceiros.
VirgolinoFerreira
chefe cangaceiro natural de Vila Bela, hoje Serra Talhada-PE, foi o último dos
grandes chefes do fenômeno social e é um dos personagens mais biografados da América
Latina.
No vídeo abaixo, veremos as imagens de um antigo casarão
aonde o chefe cangaceiro se acoitava.
"Casarão antigo e o quarto onde Lampião, o rei do
cangaço, dormiu em Flores - PE"
Quem possui sentimento de humildade, dificilmente estará apegado a bens ou coisas materiais. O ter significa apenas uma necessidade, não um luxo ou meio de ostentação.
Há pessoas, contudo, que forjam o ter como forma de demonstração de felicidade, de poder, de diferenciamento social. Mas aí as aparências servindo apenas para esconder os reais sentimentos.
E assim por que não há sorriso bonito sendo forjado, não há feição tomada de contentamento se o corpo e a alma estão apreensivos e descontentes, não há verdadeiro viver se a vida foi construída ou está sendo mantida sobre castelos de areia.
Somente é verdadeira a felicidade espontânea, nascida da conquista ou do reconhecimento de cada um de suas limitações. E para ser ato de normalidade, sem repentinos altos e baixos, o sentido da felicidade deve estar alicerçado na real valorização que cada um faz de si mesmo.
Ora, quando mascarada ou mantida em fingimento, a felicidade acaba se tornando um fardo a ser carregado. É possível mascará-la sempre? Nunca. Sorrisos dourados não significam nada. Se o coração não está sorridente e confortado, de nada adianta um rosto aberto e mãos brilhando de diamantes.
Carro de luxo não traz felicidade, anéis dourados não trazem felicidade, casarão de moradia não felicidade, ostentar que possui muito dinheiro e outras riquezas não traz felicidade.
Será que pode ser feliz aquele pobre casal que vive embrenhado nos cafundós do sertão? Será que traz consigo a felicidade aquela mocinha de chinelo barato no pé e vestido de chita? Será que encontra motivos de felicidades aquele rapazinho que sabe que tem pouco e por isso não vai além do que tem?
Sim. Ninguém vai ao supermercado comprar dois pacotes de felicidade, ninguém entra num banco para sacar um milhão de felicidades, ninguém entra numa loja chique para se vestir e revestir de felicidade. A felicidade não se compra.
Repita-se: a felicidade não se compra. A felicidade é como uma comunhão de aceitação de si mesmo com a negação daquilo que constantemente lhe é exposto para ser diferente. A felicidade é uma junção de humildade, de sabedoria, de nobreza da alma e de comedimento.
A felicidade é uma conquista que não precisa ser plantada para ser colhida, pois já florescendo dia após dia. A felicidade é ato de coração, de olhar, de palavra. Todo mundo conhece quem finge, quem mente, quem forja ser o que não é.
Muitas vezes, parece até um peso ruim e negativo estar ao lado de quem não é verdadeiro por viver revestido de ilusões de ser o que não é ou ter o que não possui. Outras vezes, uma pessoa carente se aproxima e é como um véu de alegria e de leveza boa se espalhe por todo lugar.
Ora, traz o bem no coração, chega com feição verdadeira, não traz consigo nada além do que o ser em si mesmo. Daí parecer ornada de luz, iluminada por dentro e por fora. E tornando o instante um prazeroso momento na vida.
LOCAL: Salão
de Eventos do Museu do Sertão (Estrada da Alagoinha, a 4 quilômetros de
Mossoró).
P R O G R A M
AÇÃO.
8 horas -
Missa de Ação
de Graças, celebrada pelo Capelão da Marinha do Brasil (Rio de Janeiro), Padre
Agostinho Justino dos Santos.
9:00 horas -
Lançamento do
livro “Um Olhar sobre o Museu do Sertão“, de autoria do Professor Benedito
Vasconcelos Mendes.
9:15
horas -
Inauguração da Pinacoteca “Melquíades Pinto
Paiva”.
9:30 horas -
Inauguração da
Cordelteca Sertaneja “Gutemberg Andrade”.
9:45 horas -
Inauguração da
Videoteca do Cangaço “Aderbal Nogueira”.
10:00:
horas -
Inauguração da Brinquedoteca Sertaneja “Susana
Goretti”.
10:15
horas -
Doação de 200 livros para o Núcleo Municipal
de Educação Rural Elias Salem. O ex-Governador do Ceará, escritor Gonzaga Mota
entregará à Diretora Maria Antônia de Lima Xavier, uma “Minibiblioteca
Infanto-juvenil para Crianças e Jovens”.
10:30 horas -
Interpretação
do Hino Nacional Brasileiro, Hino do Museu do Sertão e do forró
Indulgência do Sertão pela Juíza de Direito da Comarca de Mossoró e Cantora
Welma Menezes.
10:45
horas -
Entrega de
Diplomas e Comendas à diversas personalidades.
11:45
horas -
Visita aos
Pavilhões do Museu do Sertão, guiada pelo Professor
Benedito Vasconcelos Mendes
e pela Pedagoga Susana Goretti Lima Leite.
O livro
“Vivências de um Menino em uma Fazenda Sertaneja”, de autoria do escritor
sobralense/mossoroense Benedito Vasconcelos Mendes vai ser lançado em Teresina,
capital do Estado do Piauí, na famosa Livraria Anchieta, às 19 horas do próximo
dia 6 de março (sexta-feira)do corrente ano. A apresentação do livro será feita
pelo destacado Engenheiro Agrônomo Sérgio Luiz de Oliveira Vilela. A competente
Psicóloga e Psicanalista Analúcia Gomes Serpa e o Eminente assessor do Governo
do Piauí Sérgio Vilela, que são amigos do autor do livro, estão usando os seus
prestígios de proeminentes personalidades, para que o evento de lançamento do
referido livro obtenha grande repercussão no meio cultural de Teresina.
A dinâmica Psicóloga Francimary Carvalho
de Oliveira Mendes, a famosa Professora Noádia da Costa Lima e o Engenheiro
Agrônomo Francisco Sérgio Moura Sales estão realizando um intensivo trabalho de
divulgação do referido lançamento. A Professora Noádia será a
cerimonialista deste evento cultural .
O Professor
Benedito já residiu em Teresina, quando exerceu o cargo de Chefe
Geral da EMBRAPA MEIO-NORTE (Piauí e Maranhão), oportunidade em que ele foi
agraciado pela Assembleia Legislativa com o dignificante Diploma de
Cidadão do Estado do Piauí e recebeu a Medalha de Comendador do Governo
Estadual, a mais importante Comenda do Estado, a “Ordem do Mérito
Renascensa do Piauí”.
o Como dito antes, em meio ao cerco da Coluna Prestes e do bando de Lampião, muitos acreditavam que Nazaré do Pico dessa vez iria ser incendiada. Porém, naquela madrugada de 20 de fevereiro de 1926, a fina flor dos nazarenos se reuniram no povoado para combater até a morte. Da Fazenda Ipueira, bem cedinho Lampião seguiu com destino ao povoado onde chegou tocando corneta e atirando para todos os lados. O primeiro tiro em defesa partiu de Aureliano de Souza Nogueira (Lero Conrado, depois casado com uma irmã do coronel Theophanes Ferraz Torres), que se encontrava na calçada de Antônio Freire. Entraram aí os defensores da terra em feroz luta. Em pleno fogo, Odilon Flor perguntou com quem estavam brigando, se era com os revoltosos da Coluna Prestes ou com Lampião. Respondeu o bandido que era com o bando dele, animando ainda mais o valente Odilon Flor. Então, saltaram no meio da rua para combater os cangaceiros e o cancão piou.
Ricardo Ferraz passa às mãos de Luiz Ferraz Filho o Diploma do Cariri Cangaço
Euclides Flôr partiu para a casa dele pensando que estava fazia sem ninguém. Chegando lá, encontrou o sogro Antônio Gomes Jurubeba e o primo João Jurubeba defendendo a casa. Dos fundos das casas, David Jurubeba brigava animado dizendo: - Eu pensava que estava brigando com homem, mas estou perdendo meu tempo brigando com um ladrão de bode de Zé Saturnino. O bandido ouvindo isso deu total carga no combate. A casa de Abel Thomaz estava sendo defendida por ele próprio e por Lúcio de Souza Nogueira. Por ser uma casa bem próxima da igreja, foi a mais atingida, pois os cangaceiros usavam a traseira da igreja para atirar em direção a casa.
Em pleno fogo, Antônio Ferreira (irmão de Lampião) passava ao redor da casa de Gomes Jurubeba dizendo: - Velho Gomes, agora você vai tomar leite no inferno , que matamos seu gado todo e daqui a pouco você vai morrer sangrado. Na retaguarda, Euclides Flôr e Odilon Flôr comandavam as ações. Chegaram depois para reforçar João Domingos Ferraz, Manoel Jurubeba, David Jurubeba, Pedro Gomes de Lira, Hercilio Nogueira e Manoel Gomes de Lira. Vendo que a resistência dos nazarenos era uma verdadeira fortaleza, Lampião tocou a corneta para recuar e os cangaceiros saíram correndo em plena caatinga. Antônio Ferreira correu tanto que perdeu as alpercatas de couro.
Lampião com raiva da carreira que deu dos nazarenos, foi tocar fogo nas fazendas de Euclides Flôr, João Flôr, Afonso Nogueira e Praxedes Capistrano. De lá rumou ele a Serra do Pico, onde se escondeu para planejar um novo dia que retornaria para tentar tocar fogo em Nazaré. Do alto da serra, Lampião avistou ele a força do povo nazareno e nunca mais teve a ousadia de tentar entrar em Nazaré do Pico. Foi o dia que o povoado colocou Lampião para correr. (FIM...)
(FONTE:LIRA, João Gomes de, - Memorias de Um Soldado de Volante, Pág. 259-278; NETO, José Malta de Sá, - David Jurubeba Um Heroi Nazareno, Pág. 143-151). Luiz Ferraz Filho, pesquisador Serra Talhada, Pernambuco
Rua do Acre,
nº 11. Aí funciona um modesto salão de barbeiro. Meia dúzia de “fígaros” se
entregava afanosamente a escanhoar os rostos de outros tantos fregueses. O
“carioca-repórter” havia prestimosamente informado que ali encontraríamos algo
de interessante, com relação a Lampião. Por isso, um repórter, cujas barbas
ainda não haviam sido raspadas, ali foi ter e ficou à espera de ser
atendido. Enquanto passava o tempo, como de propósito, alguém falou sobre a
morte de Virgulino Ferreira.
Dizia:
- Na verdade, jamais acreditei que Lampião
existisse de fato. Julgo tudo uma balela!
Replicando-lhe, um dos oficiais
falou:
- Isso o senhor pensa. Mas Lampião era mesmo um cangaceiro. Pelo menos
temos aqui um colega que já teve ensejo de vê-lo pessoalmente, aliás, com muito
desgosto, pois é por temos de Lampião que ele veio para o Rio.O repórter aguçou
os ouvidos. Encontrava mais facilmente do que pensava o assunto importante que
motivava a sua presença no salão.Agora, o homem descrente também mostrava curiosidade
e quis saber quem era Lampião. Não foi difícil. O barbeiro não fez segredo e
respondeu prontamente, à primeira interpelação:
- É aquele. E apontou para um
rapaz, tipo nortista, também entregue ao trabalho de cortar o cabelo a um
freguês.
O HOMEM QUE FEZ A BARBA E CORTOU O CABELO DE LAMPIÃO E SEUS SEQUAZES.
Nesse momento o repórter julgou azada a sua intervenção. Fê-lo de maneira a
provocar mais celeuma em torno do assunto e forçar o esclarecimento de novos
detalhes.O barbeiro que havia apontado seu colega, de fato, prontamente
ajuntou:- Olha, moço, o João de Deus Aragão é baiano e algumas vezes nos falou
a respeito de seu encontro, dizendo mesmo que havia sido forçado a fazer a
barba de Lampião e seus sequazes. Não foi mesmo, Aragão? – perguntou ao indicado,
como a querer confirmação do que afoitamente narrara.O outro não parecia muito
inclinado a falar sobre o assunto e apenas respondeu:- É.Insistimos.- Para que
falar nisso?- E por que não? Não tenha receio: Lampião está mesmo morto...João
de Deus Aragão sorriu e aquiesceu, então, em fazer-nos a narrativa.- Foi em
1928 que o fato se verificou – começou. Morava eu então na fazenda Vaz Salgado,
Vila do Amparo, no estado da Bahia, onde tinha o meu salão. Nessa época, em certa
manhã, cerca de 8 de 30 horas, subitamente a localidade foi invadida por um
grupo numeroso de homens montados a cavalo, fartamente municiados. Prontamente
foram reconhecidos como sendo bandidos de Lampião, o já famoso “terror do
cangaço”. Com ele vinham, entre outros cangaceiros, os não menos temíveis
“Corisco” e “Esperança”, bem como um cunhado de Virgulino Ferreira, conhecido
por Modesto. A guarnição policial, composta de sargento e três praças, trataram
de fugir, logo que circulou a notícia da aproximação dos facínoras, certos de
que se ali permanecessem, seriam exterminados sanguinariamente, dado o já
proverbial ódio que Lampião tinha aos “macacos”, como chamava aos elementos da
polícia.Penetrando na pequena vila, Lampião tomou de surpresa a coletoria
local, cujo coletor de então, Sr. Antônio Gonzaga Leite, e o escrivão Vicente
Ferreira de Castro se submeteram sem a menor resistência. O chefe político de
Amparo, Sr. Melchiades Rodrigues da Silva, já a esse tempo havia também deixado
sua residência, indo para Ribeirão do Amparo.
EMOÇÃO QUE SE RENOVA
Tomando posse do dinheiro existente na repartição, Virgulino intimou o coletor
a mandar preparar o almoço para ele e sua gente, de que se incumbiu a família
do mesmo funcionário, todos temerosos de uma vingança, se não
aquiescessem.Depois disso, Lampião mandou chamar-me. Dois “caibras”
compareceram até onde eu me encontrava e me levaram em sua companhia. Sentia um
pavor indescritível, mas que podia fazer?Nesse momento João de Deus Aragão
interrompeu sua descrição. Olhamo-nos mais fixamente e notamos que uma
extraordinária palidez estava estampada em sua face. Percebemos que ainda eram
profundas as recordações que guardava daqueles instantes de emoção e pavor que
então passara.Controlando-se, e à insistência de todos que ali se encontravam ouvindo
atentamente a narrativa, prosseguiu o barbeiro:- Quando cheguei à sua presença,
Lampião ordenou-me: - “Vá para a sua barbearia e prepare as ferramentas, porque
vai atender a mim e aos meus “caibras”.Mais horrorizado ainda, ante essa
perspectiva, à qual não podia e nem tinha coragem para fugir, tratei de cumprir
o mandado. Ajeitei tudo direitinho, apesar de que o medo fez-me cair o pincel e
a bacia em que a espuma era feita. Fiquei esperando. A demora foi pequena, mas
pareceu-me que séculos haviam se passado até quando o bando transpôs os umbrais
do salão, tendo à frente o seu temível chefe, seguido de perto por “Volta
Seca”. Este era ainda rapazola, encarregado de tomar conta da cavalhada, mas já
demonstrava o que seria breves dias depois.Novo intervalo se fez na narrativa,
logo a seguir retomada:- Lampião entrou. Deixou sua arma encostada a um canto,
mas não quis tirar senão o chapéu, conservando as cartucheiras, a “lambedeira”
e outros muitos petrechos que conduzia em volta do tórax. Os outros cangaceiros,
porém, ficaram ao meu redor, com regular distância, todos de arma em punho,
prontos a atirar em mim na hipótese de que pudesse dar um golpe em falso. Mesmo
que eu quisesse, assim, sob a pontaria dos facínoras, não me atreveria a tentar
qualquer gesto suspeito. Entretanto, quase que cometia uma fala involuntária. É
que sentia as pernas trôpegas e tremor incontrolável no corpo, até as
mãos.Percebendo o que se passava, Virgulino disse-me:Está com medo, “mestre”?E
acrescentou:- Não tenha receio, que aqui ninguém lhe fará mal...Empregando toda
a minha vontade, consegui cumprir a tarefa. Aparei os cabelos de Lampião, que
ele trazia muito compridos, deixando-os à altura da nuca, fazendo-lhe ainda a
barba. Quando terminei, entregando-me uma cédula, com grande admiração minha, o
facínora falou-me:- Toma esses 20$000 pelo serviço meu e do meu pessoal.Deixei
o dinheiro sobre a banqueta, receoso de conservá-lo na gaveta e menos ainda no
bolso. A seguir, continuei o trabalho, atendendo a todos os “caibras” que se iam
revezando, enquanto Lampião caminhava para a porta e mandava que a multidão ali
postada – toda formada de gente humilde – se afastasse. E gritou para os
curiosos:- Vão saindo daqui. Está muito calor. É claro que não foi preciso nova
ordem. Todos, num relance, deixaram o local, amedrontados.
FUGIU E NEM QUIS ALMOÇAR
- As pessoas importantes da vila não quiseram ver “Lampião”? – perguntamos.
-
Qual o quê – retrucou prontamente João de Deus. Fugiram todas, logo que
souberam que o “capitão” estava em Amparo. E o homem que afirma ter estado com
a navalha no pescoço de “Lampião” prossegue:
- Quando acabei o serviço, os
cangaceiros deixaram-me sozinhos, partindo para outros pontos da vila, a fim de
se apoderarem de tudo quanto ali encontraram, que representava valor e de fácil
condução, como joias, dinheiro e um cavalo. Logo que os vi distantes, tratei de
correr para a casa de minha mãe, Maria das Mercês Eliot, que ainda vive no
Amparo. Apesar da insistência dessa, não quis almoçar. Apanhei imediatamente
minha mala, com umas poucas pelas de roupa, deixando a Vila e indo para o lugar
denominado Bando de Cipó, com a mala às costas, tomei um caminhão que ia para
os lados de Ilhéus. Dormi uma noite inteira na sarjeta, mas na manhã seguinte
continuei a marcha para São Salvador, de onde, em 1934, vim para aqui. Havia ele
encerrado sua palpitante narrativa, mas ainda lhe fizemos uma pergunta:- Nunca
mais voltou à sua terra, para rever os pais e amigos?João de Deus Aragão tinha
um relâmpago nos olhos quando nos respondeu:- Nunca. É ainda muito viva a
impressão daqueles momentos de pavor, para que eu lá retornasse.
“A NOITE” (RJ) - 30/07/1938.
O barbeiro João de Deus, em foto ilustrativa da matéria, esta, parte integrante
da série de publicações produzidas pelo jornal carioca imediatamente após a
morte de Lampião.
Sabemos que a
voz e o modo como falamos são um dos grandes identificadores do ser humano,
além de constituir um dos meios mais eficazes de comunicação. A voz é mais
distintiva do que mesmo as impressões digitais, porque faz mais do que
identificar, ela diz do nosso íntimo, como estamos passando, diz do nosso
caráter, pois é um porta-voz, um instrumento de expressão da mente.
LAMPIÃO, não
obstante as muitas pesquisas e biografias a seu respeito, informações sobre sua
estatura, cor, cabelo, tipo físico, à farta para todos os gostos, jamais li
algo sobre o tipo de sua voz, salvo e unicamente o contido na nota oficial do
governo da Bahia, publicada em jornal em janeiro de 1929: “O governo do Estado
da Bahia oferece prêmio de 50 contos de réis à pessoa que conseguir capturar
Lampião ou abatê-lo, devendo comunicar incontinenti o fato à autoridade mais
próxima. Sinais de Virgulino Ferreira: 28 anos, estatura média, cabra, voz
afeminada, cogote raspado, óculos escuros, conversa galhofeira relatando sempre
suas façanhas e nunca encobre a sua identidade”.
A voz de
LAMPIÃO. Era fina, média, grave? Seu tom de voz era alto, médio, baixo? Seu
falar era ligeiro ou lento, pausado ou corrido?
Material do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho
*Salvo melhor informação, Rio Branco é o atual município de Arcoverde. - Imagem extraída de O JORNAL (RJ), de 12.09.1926.
O terrível
facínora, terror do Nordeste, prepara o assalto a Rio Branco.
As populações
alarmadas defendem de arma na mão a vida e a propriedade.
Notícias de
Rio Branco, no sertão de Pernambuco, trazem informes da situação de pavor em
que se encontra aquela vila, sob a ameaça de ataque dos facínoras dirigidos por
Lampião, que se tornou em toda a zona sertaneja do Nordeste um nome mais temido
do que foi anos atrás o famoso Antonio Silvino.
As notas, que
temos à mão, pintam-nos uma situação de pavor, não entrando na sua composição
nenhuma expressão de exagero.
Há o relato
simples de atrocidades e, sobretudo, vivamente reproduzida, à sombria impressão
que a aproximação do bandoleiro determina no espírito timorato das populações.
O bandido
faz-se anunciar por uma série de assaltos, roubos, mortes, desrespeito à
propriedade alheia e à individualidade das senhoras, bastando a encher de maus
augúrios todos quantos se julgam sob a ameaça da sua presença incomoda.
O povo
sertanejo é de natural simplório e dado à crendice, de sorte que os feitos
desses vultos sinistros crescem facilmente e se distendem na sua imaginativa,
tomando proporções de horrores. Não fosse, assim, formada a sua alma,
entretanto, e o pânico seria fatalmente o mesmo, porque Lampião, agindo sob a
discreta proteção de alguns fazendeiros e autoridades, que desvirtuam dessa maneira
o seu papel, enche facilmente o espírito daquele povo com o relato que o
precede das incríveis truculências e barbaridades praticadas todos os dias e já
hoje tornadas lendárias, numa imensa zona do Brasil interior.
A noite de 17
para 18 de agosto, por exemplo, foi de sinistros presságios para o povo de Rio
Branco. O vilório sabia que Lampião, conduzindo perto de 100 facínoras, bem
municiados e bem montados, aproximava-se da vila, pronto a assaltá-la, para se
fazer em campo na manhã seguinte.
Foi, pois, uma
noite passada em claro, sob a impressão de que o bando sinistro se achava a
oito léguas de distância.
A população de
Rio Branco pegou em armas, desde o mais humilde cidadão às pessoas de maior
destaque da localidade, empenhadas na defesa do lar e da vida. O médico Dr.
Luiz Coelho, o juiz de direito da comarca de Buíque, Dr. Roma, ali a passeio, o
gerente do banco, o tenente coronel Justino, o capitão José Bezerra da Silva, todas
as pessoas as mais influentes da vila, tomaram a frente dos homens que se puseram
à sua defesa, a fim de encorajar a população alarmada.
E parece que
essa resistência impressionou o bandoleiro, porque apesar de estar a oito
léguas do Rio Branco, Lampião não se encorajou a atacá-la, prosseguindo noutra
direção os seus crimes. Entretanto, essa resolução pouco serviu a Rio Branco,
porque, alarmado como estava, o povo preferiu continuar militarizado, temendo a
cada momento um assalto que apenas, no seu julgamento, fora, por circunstâncias
momentâneas transferido.
Assim
pensando, é fácil avaliar os prejuízos advindos para o pequeno comércio local e
toda a vida, em suma, do lugarejo rústico, que permanecia até os últimos dias
de agosto inteiramente suspensa, na ameaça de que os bandoleiros a qualquer
momento repontassem.
Cajazeira era uma homem de posses, seu pai era um rico fazendeiro de Poço
Redondo/Se., tinham muitas terras e rebanhos, e por conta disto eram
constantemente explorados e extorquidos pelas volantes, que lhe pilhavam
dinheiro, bens e animais, sob o pretexto da campanha contra o cangaço. Ele era
casado, na igreja e no “papel passado” com a jovem e bela Enedina. Certo dia,
quando estava num bar, soube da aproximação de uma volante que se dirigia à sua
procura para mais uma extorsão e numa atitude impulsiva e de revolta, pois já
se encontrava saturado com aquela situação, se esquiva da iminente extorsão e
segue sertão adentro à procura do Bando de Lampião para se refugiar,
localizando-o e sendo aceito no Cangaço. Sua Esposa Enedina, logo após, vai ao
encontro de seu marido, juntando-se à ele no cangaço, onde passaram a viver.
Enedina
Enedina era conhecida por sua simpatia e alegria e Cajazeira por sua valentia,
educação e bons modos, sendo presenças agradáveis no cangaço. Em 1938, estavam
acampados na Grota de Angico, junto com Lampião e bando, quando foram atacados
pelas volantes. Na fuga, Enedina correu junto com Sila e Dulce, mas foi
acertada por uma rajada de metralhadora na cabeça, que a esfacelou jorrando
pedaços de miolos em suas companheiras ao lado, que seguiram em fuga. Enedina
ficou caída e teve sua cabeça cortada e exposta juntamente com as cabeças de
Lampião, Maria Bonita e mais oito cangaceiros, numa exposição macabra de onze
cabeças decepadas.
Cajazeira fugiu e sobreviveu, ficou foragido algum tempo,
retornou à sua cidade e casou-se, novamente, com sua cunhada, irmã de Enedina,
com quem se mudou para o Rio de Janeiro onde foi bem sucedido no trabalho no
ramo da construção civil.
Alguns anos depois retornou à sua cidade natal de
Poço Redondo/Se e retomou a administração das terras e negócios de seu pai,
entrou na política, concorreu a prefeitura como Zé de Julião, se envolveu em
brigas e disputas políticas e foi assassinado em 1961 por adversários
políticos.
João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce., 19/02/2020.
Clerisvaldo B. Chagas, 19 a 21 de fevereiro de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2. 265
Muito bem feita, merecendo prêmio, a longa reportagem dojornal Tribuna Hoje, sobre a “Terra da Laranja Lima” e a bravura das mulheres quilombolas. Sendo o maior produtor de laranja lima do Brasil, Santana do Mundaú, Alagoas, a cerca de 100 km de Maceió, teve seus laranjais invadidos pela praga da mosca negra que reduziu sua produção em mais de 40%. Isso aconteceu há três anos quando a praga atingiu quase 100% dos laranjais, prejudicando 2.000 agricultores familiares, entre eles, o de três comunidades remanescentes quilombolas. Foi quando 20 mulheres das comunidades Filuz, Jussara e Mariana reagiram à situação e foram à luta. Guiadas pela ideia da Gerência de Articulação Social do Gabinete Civil do Estado de Alagoas, foram bater à porta da Cooperativa Pindorama, em Coruripe.
(CRÉDITO: ANDRÉ PALMEIRA/AGÊNCIA ALAGOAS).
A Pindorama, uma das mais organizadas cooperativas do Brasil e com mais de 60 anos de fundação, passou lições importantes para as guerreiras mulheres quilombolas, inclusive como gerenciar uma cooperativa e como diversificar os seus produtos. As empreendedoras, então, fundaram uma cooperativa há dois anos e mais o “Instituto Irmãos Quilombolas”. Hoje as comunidades diversificaram a produção que além dos cítricos, cujo carro chefe é laranja lima, produz, jaca, banana, laranja, tangerina e outras frutas, hortaliças e guloseimas como pé de moleque, bolo de massa puba e macaxeira, tapioca, beiju e outras delícias. Os produtos da Agricultura Familiar são todos orgânicos e vendidos na própria região.
Cerca de 120 famílias quilombolas foram beneficiadas e ainda implantaram uma feira livre própria que garante o escoamento da produção. Graças a força de vontade dessas 20 mulheres empreendedoras essa região do Vale do Mundaú, passou a viver outra realidade que não respeita essa tal de mosca negra.
Santana do Mundaú, na Zona da Mata, é banhada pelo rio Mundaú, tem como padroeira Senhora Santana e conta com cerca de 11.000 habitantes.
Bem que bateu à vontade de conhecer de perto as heroínas quilombolas.
O cangaceiro Lampião nos primeiros momentos de sua vida no Cangaço.
AINDA VIVE O HOME M QUE EM 1921 SEPULTOU O PAI DE LAMPIÃO
Diário de Pernambuco, 29 de março de 1973, Terceiro Caderno, Página 3.
Pesquisa – Tadeu Rocha / Fotos José Valdério
Diário de Pernambuco, 29 de março de 1973, Terceiro Caderno, Página 3.
Num velho casarão alpendrado de uma fazenda sertaneja, em plena caatinga pernambucana do Município de Itaíba reside o ancião Maurício Vieira de Barros, que em maio de 1921 sepultou o pai de Lampião, morto por uma força volante da Policia alagoana. Nos seus bem vividos e muito sofridos 86 anos de idade, ele viu e também fez muita coisa, por esse Nordeste das caatingas e das secas, dos beatos e dos cangaceiros, dos soldados de verdade e dos coronéis da extinta Guarda Nacional.
O Sr. Maurício Vieira de Barros nasceu em 2 de abril de 1886, Na casa dos seus 30 anos, foi Subcomissário de Polícia no Estado de Alagoas e, na dos 40, chegou ao posto de Sargento na Polícia Militar de Pernambuco. Depois, respondeu a dois júris por excesso de autoridade e, desde 1955, está vivendo uma velhice descansada no Sítio dos Meios, em companhia de sua filha Dona Jocelina Cavalcanti de Barros Freire.
Se não fossem as ouças, que já estão fracas, o velho Maurício não aparentaria os seus quase 87 anos, pois ainda caminha com passo firme e guarda boa lembrança dos fatos de sua mocidade e maturidade. Ele é, agora, a derradeira testemunha viva do início de uma tragédia sertaneja: a transformação do cangaceiro manso Virgulino Ferreira em bandido profissional que convulsionaria os sertões nordestinos durante 17 anos.
Casa do Sítio do Meio em 1973.
UM ATOR NO PROSCÊNIO
A primeira indicação do Sr. Maurício Vieira de Barros como a autoridade policial que sepultou o pai de Lampião nos foi dada, há mais de 20 anos, pelo Major Optato Gueiros, no segundo capítulo do seu livro sobre Virgulino Ferreira. O autor das “Memórias de um oficial ex-comandante de forças volantes” ouviu o relato da morte de José Ferreira da boca do próprio Virgulino, nos começos da década de 1920, quando Lampião ainda era um simples cabra de Sinhô Pereira. Optato Gueiros também informa que, anos mais tarde, Lampião poupou a vida de Maurício, no povoado de Mariana, em gratidão pelo sepultamento de seu pai.
Maurício Vieira de Barros sendo entrevistado pelo professor e escritor Tadeu Rocha e acompanhado de Bruno Rocha.
Nos meados de dezembro do ano passado, após concluirmos que não foi feito, absolutamente, o registro dos óbitos de Sinhô Fragoso e do pai de Lampião (mortos na primeira “diligência” da volante do Tenente Lucena), julgamos necessário ouvir o Sr. Maurício Vieira de Barros, que nos constou ainda estar vivo e residir para os lados das cidades de Águas Belas ou Buíque. Somente o antigo policial que sepultou os dois cadáveres poderia revelar-nos a data precisa da morte de José Ferreira.
NO RASTO DA TESTEMUNHA
Após consultarmos inúmeras pessoas sobre o paradeiro do ancião Maurício de Barros, afinal soubemos do Sr. Audálio Tenório de Albuquerque que esse seu compadre estava morando na fazenda Sítio dos Meios, no Município de Itaíba. Rumando para Águas Belas, entramos em contato com os nossos parentes do clã dos Cardosos, entre os quais fomos encontrar o jovem veterinário Ricardo Gueiros Cavalcanti, neto do velho Maurício, por parte de pai.
Notícia do ataque dos cangaceiro ao lugar Pariconha em 1921, hoje município alagoano distante 354 km de Maceió.
Na tarde quente do dia 17 de janeiro, em companhia do veterinário Ricardo Gueiros Cavalcanti, do fotógrafo José Valdério e do jovem estudante Bruno Rocha, deixamos a cidade de Águas Belas pela rodovia PE—300, na direção de Itaíba. Após cruzarmos o rio Ipanema e o riacho Craíbas. Pegamos uma estrada vicinal, por onde atingimos, dificilmente, o Sítio dos Meios, a uns 2.5 km de Águas Belas, a outros tantos de Itaíba e a 9 da cidade alagoana de Ouro Branco.
Fomos encontrar o velho Maurício no alpendre do casarão da fazenda de sua filha, jovialmente vestido de blusão de mangas compridas c calçado com sandálias havaianas. A presença do seu neto Ricardo e a delicadeza de sua filha Dona Jocelina permitiram-nos conversar longamente com o Sr. Maurício Vieira de Barros. O fotógrafo Jose Valdério documentou a nossa visita e o estudante Bruno Rocha gravou a nossa conversa.
Lampião nos primeiros anos.
SUBCOMISSÁRIO SEPULTA DOIS MORTOS
O Sr. Maurício Vieira de Barros já exercia o cargo de Subcomissário de Polícia da cidade de Mata Grande, em maio de 1921, quando o Bacharel Augusto Galvão, Secretário do Interior e Justiça de Alagoas na segunda administração do Governador Fernandes Lima, enviou ao sertão uma força volante da Polícia, sob o comando do 2º Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão, a fim de dar combate ao banditismo. Antes que essa força chegasse ao sertão, os cangaceiros saquearam o povoado de Pariconha, na tarde de 9 de maio. Logo que a volante do Tenente Lucena atingiu seu destino, cuidou de prender os participantes desse saque, entre os quais estavam os irmãos Fragoso e os irmãos Ferreira, residentes no lugar Engenho Velho. A volante cercou a casa dos Fragoso e do tiroteio resultou a morte de José Ferreira e Sinhô Fragoso, ficando baleado Zeca Fragoso e saindo ileso Luís Fragoso.
Avisado em Mata Grande das mortes ocorridas no Engenho Velho, o Subcomissário Maurício de Barros dirigiu-se a esse lugar e fez transportar, em redes, os dois cadáveres para a povoação de Santa Cruz do Deserto, em cujo o cemitério os sepultou. O fato de José Ferreira e Sinhô Fragoso terem sidos deixados mortos por uma “diligência” da Polícia Militar de Alagoas levou o Subcomissário de Mata Grande a enterrá-los no cemitério mais próximo.
DATA DA MORTE DO PAI DE LAMPIÃO
Na breve história de 17 anos, qual foi a do cangaceiro Virgulino Ferreira (que se fez bandido profissional em 1921 e foi eliminado em 1938), existem erros de datas de mais de um ano, como no caso da morte de seu pai pela volante do Tenente Lucena. Tem-se escrito que esse fato aconteceu em abril de 1920, o que não corresponde, em absoluto, à verdade histórica.
Ao que apuramos no Arquivo Público e Instituto Histórico de Alagoas, 2º Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão foi nomeado Comissário de Polícia da cidade alagoana de Viçosa em 10 de abril de 1920, assumiu o exercício do cargo logo no dia 15 e permaneceu nessa comissão até princípios de maio do ano seguinte. Ele ainda assinou ofício na qualidade de Comissário de Viçosa em 28 de abril de 1921. No dia 4 de maio esteve no Palácio do Governo, em Maceió. E no dia 10 desse mês, deixava Palmeira dos índios “com destino ao sertão”, estando “acompanhado de um contingente de 24 praças”, conforme registrou o seminário palmeirense O Índio, de 15 de maio, em seu número 16, página 3.
Nota sobre a volante do Tenente Lucena no seminário palmeirense O Índio, de 15 de maio, em seu número 16, página 3.
Viajando a pé, a volante do Tenente Lucena só alcançou o sertão ocidental de Alagoas uma semana mais tarde. Por isso mesmo, sua “diligência” no Engenho Velho somente pode ter ocorrido nos começos da segunda quinzena de maio de 1921. O Sr. Mauricio de Barros não se recorda mais da data do sepultamento dos mortos pela “diligência” no Engenho Velho. Lembra-se, porém, que foi numa quinta-feira. Ora, a primeira quinta-feira da segunda quinzena de maio de 1921 caiu no dia 19, o que permitiu ao Correio da Tarde, de Maceió, publicar no fim desse mês uma carta de Mata Grande, sobre os acontecimentos do Engenho Velho. A esse tempo, os estafetas do Correi levavam, a cavalo, três dias entre as cidades de Mata Grande e Quebrangulo, de onde as malas postais seguiam de trem para Maceió.
Detalhe da carta enviada de Mata Grande e publicada no final do mês de maio de 1921 pelo jornal Correio da Tarde, de Maceió, sobre os acontecimentos do Engenho Velho.
EPISÓDIO MUITO CONTROVERTIDO
Sempre foram muito controvertidas as circunstancias da morte do pai de Lampião. Na primeira entrevista que concedeu a um jornal (o recifense Diário da Noite, de 3 de agosto de 1953), o Sr. João Ferreira, irmão de Virgulino, declarou o seguinte sobre a morte de seu pai: “Findo o tiroteio, seguido pelo abandono do local pela tropa, eu o fui encontrar sem vida, caído sobre um cesto, tendo às mãos uma espiga de milho, que estava debulhando, ao morrer”.
Por seu turno, parentes e amigos do Cel. José Lucena de Albuquerque Maranhão costumam dizer que o velho José Ferreira resistiu à Polícia, atirando de dentro da casa dos Fragoso. Parece-nos que há engano em ambas as versões, pois o Sr. Maurício Vieira de Barros nos disse que encontrou o cadáver do pai de Lampião no terreiro da casa dos Fragosos.
O Tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão, comandante da desastrada volante que matou o pai de Lampião.
Este depoimento se harmoniza com o informe que nos deu o Sargento reformado Euclides Calu, residente em Mata Grande, e a história que contava o velho Manoel Paulo dos Santos, Inspetor de Quarteirão no Engenho Velho, ao tempo da morte do pai de Lampião. História que nos foi transmitida por seu filho Gabriel Paulo dos Santos e pelo magistrado alagoano Dr. Dumouriez Monteiro Amaral.
O informe do velho Calu e a história contada pelo velho Manoel Paulo referem que José Ferreira foi morto durante o tiroteio do Engenho Velho, quando ia tirar leite em um curral. De fato, o cerco da casa da casa dos Fragosos foi feito ao amanhecer do dia 19 de maio de 1921. E o tiroteio que se seguiu e vitimou José Ferreira ocorreu “antes do café da manhã de um dia muito chuvoso”, como declarou, textualmente, João Ferreira, na citada entrevista a um jornal recifense. E não há dúvida que o Inspetor de Quarteirão Manoel Paulo dos Santos foi a testemunha mais isenta de paixões no episódio da morte do pai de Lampião.