Seguidores

sábado, 19 de janeiro de 2013

A vida e a obra do sagrado filho de Januário e Santana em cordel de Arievaldo Viana

(*) José Romero Araújo Cardoso

Luiz Gonzaga do Nascimento foi a maior expressão sonora da autêntica cultura popular nordestina, tendo legado um verdadeiro relicário musical acerca das tradições, costumes, cotidianos e outras coisas mais referentes a uma região seca cujos desafios fizeram do seu povo uma fortaleza espetacular e admirável.

Luiz Gonzaga

Nascido a 13 de dezembro de 1912, no pé da serra do Araripe, divisa dos estados do Ceará e Pernambuco, o velho “lua”, apelido carinhoso que ganhou de

Mário Lago

Mário Lago quando de sua aceitação para labutar na saudosa Rádio Nacional, se tornou uma legenda insubstituível como resposta ao que efetivamente faz ser nordestino.

Ainda “molecote”, como ele gostava de dizer, Luiz Gonzaga teve um desentendimento com importante homem de sua terra, resultando em uma surra incomensurável de Santana, aprovada por Januário, levando-o a abandonar o seu pé de serra em direção a outras plagas.

Santana e Januário
Engajado no Exército Brasileiro, Gonzaga teve participação tímida, como corneteiro, quando da revolução desencadeada em outubro de 1930. Rumo à cidade maravilhosa, passou a tocar na zona do mangue, a fim de buscar a sobrevivência na então capital federal.

Desafiado por um grupo de estudantes cearenses, Luiz Gonzaga voltou a fazer o que gostava, recordando-se das quebradas do sertão. Surgia assim um dos maiores ícones da música popular nordestina, responsável pela “descoberta” por parte do restante do país, bem como pelo exterior, dos valores de um povo, da riqueza da cultura popular nordestina, denunciando o desprezo em que ainda vivem milhares de pessoas espalhadas pelos rincões adustos da terra do sol.

Luiz Gonzaga teve dois parceiros que se rivalizaram no intuito de eternizarem verdadeiras pérolas que hoje compõem o cancioneiro nordestino. Chamavam-se 

Humberto Teixeira

Humberto Teixeira, cearense de Iguatú, e José Dantas filho, pernambucano de Carnaíba de Flores.

José Dantas e Luiz Gonzaga
O ostracismo e um certo repúdio permeavam os diversos olhares nacionais com relação à cultura nordestina, sendo Luiz Gonzaga o mais importante agente responsável pela ênfase a um processo de aceitação do que o nordeste produziu em trezentos anos de contínua fixação, desde quando os rastros das boiadas ocuparam os sertões mais distantes, fomentando uma identidade própria que foi gradativamente se aprimorando, sendo influenciada ao longo dos séculos por matizes de diversas vertentes culturais.

Gonzaga foi a representação da alma do sertão, a essência máxima de um povo e de uma cultura extraordinariamente rica. O velho “Lua” trouxe para a música a simplicidade e o bucolismo de um sertão que marcou a infância e a juventude do eterno cantador que nunca esqueceu sua terra, o chão sagrado do semi-árido.

Em excelente folheto publicado em terceira edição pela Editora Queima-Bucha, por título Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, o qual traz xilogravura de autoria do poeta popular João Pedro do Juazeiro, o poeta popular cearense 

Arievaldo Viana Lima

Arievaldo Viana Lima traça um perfil ímpar do grande e eterno mestre da sanfona, cuja influência foi decisiva para que grandes e apoteóticos momentos da MPB e da cultura regional fossem concretizados.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Enviado pelo autor: José Romero Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A Literatura de Cordel em defesa do lado bom do Nordeste

Por José Romero Araújo Cardoso(*)

A responsabilidade que tem a “indústria das secas” articulada à mídia irresponsável para a veiculação de uma idéia negativa do Nordeste brasileiro é algo impressionante, pois é extremamente nefasta a imagem disseminada da pobreza crônica e insolúvel dos desditados nordestinos. Atendendo a indisfarçável interesse de classe, a idéia de que o Nordeste amargue de forma inclemente e absoluta com as secas e com a miséria faz com que o restante do Brasil crie formas distorcidas quanto ao imaginário referente a esta região de cultura esplêndida e riquíssima. Em folheto por título O Lado Bom do Nordeste, o poeta popular Moreira de Acopiara, em perfeita sincronia entre rima, métrica e oração, destaca o que há de belo e positivo no povo e na cultura da região. Publicado no Estado de São Paulo no ano de 2004, o folheto traz ilustração de capa de autoria de Fausto Bergoni. Moreira de Acopiara convida àqueles que foram alienados pelo trabalho meticuloso e impecável de pura essência ideológica a conhecer de perto as riquezas nordestinas. O autor destaca as belezas de sua terra natal, frisando a grandeza da hospitalidade do homem nordestino, a beleza das mulheres cearenses, as delícias da culinária regional e a necessidade urgente de se conhecer o sertão.Constata-se que a urgência em conhecer o sertão talvez se deva às formas assumidas pela intensa antropização, a qual está suscitando a exponencialidade do processo de desertificação do semi-árido nos dias atuais, fruto da irresponsabilidade da ganância imediatista que despreza as condições edafo-climáticas ímpares que caracterizam o quadro natural da região. Invocando a necessidade de verificar os dois lados da moeda, o autor destaca que há riquezas em São Paulo assim como em Fortaleza, Salvador e Maceió, ressaltando que também há pobreza no norte e no sul.Centro econômico dinâmico da América Latina, a região sudeste não conseguiu resolver problemas graves presentes na atual conjuntura, referentes à geração de emprego e renda, moradia, saúde e educação, assistindo passivamente ao surgimento de favelas como cogumelos após chuvas, problemas infelizmente também constatados no nordeste brasileiro. Paisagens sertanejas que encantaram Catulo da paixão Cearense, as quais inspiraram um dos maiores clássicos do cancioneiro regional, são fomentadas a fim de implementar a atração e a mudança de concepções presentes no imaginário referente à região enfocada no folheto.Em um telúrico passeio literário pelas belezas dos Estados Nordestinos, Manoel de Acopiara enfatiza a grandeza da cultura local, conclamando os brasileiros a conhecer e se conscientizarem sobre o verdadeiro potencial do lado bom do nordeste.Fértil celeiro da mais autêntica cultura popular, o nordeste é cantado e decantado em versos pela brilhante verve do poeta popular cearense, a qual não esqueceu de mencionar figuras imortais como Patativa do Assaré, Gonzagão e Manoel Monteiro. Finalizando o folheto com uma declaração de amor ao nordeste, Manoel de Acopiara destaca que a região é a terra melhor do mundo, pois a maior virtude está justamente na afabilidade do seu povo e no coração imenso que bate no peito dos sofridos e esperançosos nordestinos.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Enviado pelo autor:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A civilização do couro


José Romero Araújo Cardoso(*)

Enquanto no litoral nordestino  subúmido firmou-se a agroindústria canavieira voltada para o mercado externo, a hinterlândia formou-se a partir da expansão da pecuária pelos sertões distantes tendo como pólos irradiadores Bahia e Pernambuco.

A civilização do couro, conforme definição do historiador Capistrano de Abreu,  objetivava abastecer com os produtos da pecuária o mercado interno, pois as áreas valorizadas pelo capital mercantil não tiveram condições concretas de cumprir qualquer ênfase à própria sobrevivência, seja de oprimidos ou de opressores.

As classes abastadas que povoaram os sertões nordestinos tinham na quantidade de gado bovino sinônimo de status socioeconômico, enquanto aos menos privilegiados restou o consolo de criar pequenos animais domesticados, como cabras e bodes, motivo pelo qual se formaram as denominadas raças nativas, como Moxotó, Morada Nova e Canindé, resistentes às secas e adaptadas extraordinariamente ao meio ambiente inóspito, cujo suporte forrageiro, em geral, encontra-se nas plantas das caatingas.

No sertão nordestino o couro passou a fazer parte do dia-a-dia, pois quase tudo era feito dessa matéria-prima de origem animal. As cadeiras, os alforjes, as mesas, os gibões, os chapéus, enfim, a cultura sertaneja passou a utilizar o couro em quase tudo que era confeccionado, usado cotidianamente pelos sertanejos em afazeres, alimentação, conforto, etc .

Quando das grandes secas era comum usar o couro como recurso alimentício a fim de tentar sobreviver aos rigores das intempéries. A estiagem histórica de 1877-1879 marcou significativamente o uso do couro para a alimentação do sertanejo, o qual antes era  utilizado para deitar-se, sentar-se ou enfrentar os espinhos da vegetação caatingueira.

O manuseio com o gado, do qual o couro é retirado, fez surgir verdadeiros artesãos nas quebradas dos sertões distantes. Artistas populares anônimos proliferaram, assim como as feiras de gado, executando trabalhos hábeis que ainda hoje marcam de forma extraordinária a cultura sertaneja.

Mãos calejadas passaram a fabricar selas, chapéus, relhos, sandálias, etc., os quais se tornaram indispensáveis para enfrentar a vida dura no sertão, simbolizando em muitos casos a própria tradição da região.

Vaqueiros e cangaceiros adotaram indumentária própria, confeccionada com o couro. Incontestáveis obras de arte foram feitas a partir do tecido animal, exemplificado através dos chapéus-de-couro dos mais proeminentes chefes de cangaço que palmilharam o sertão nordestino.

O campeador de gado do sertão nordestino, por sua vez, difere de seus congêneres espalhados pelo país, pois a roupa com a qual enfrenta as dificuldades da labuta diária, condicionada pelos desafios impostos pela vegetação extremamente agressiva, dotada de espinhos afiados e cortantes, exige dureza e rusticidades, as quais são conseguidas com as vantagens que o couro oferece.

(*) José Romero Araújo Cardoso é Geógrafo. Professor-adjunto do Campus Central da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contato: romero.cardoso@gmail.com.

Enviado pelo autor: José Romero Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Missão Velha já está no Ponto !!!

Por: Bosco André
Bosco André e Manoel Severo

Meu caro Severo,

meus parabéns por já está arregaçando as mangas para o grande evento de 2013, com contatos em Brasília e São Paulo, desejo-lhe todo êxito, que aliás não é só seu, mas de todos nós da família Cariri Cangaço.

Devo lhe adiantar que Missão Velha lhe espera com grandes novidades e acho que um dia inteiro tem que ser dedicado a nossa querida cidade. e espero que isso se confirme , diante de seu grande amor por nossa terra.

Hoje temos um descendente do Coronel Santana na Presidência da Câmara Municipal , senhor vereador Cícero Cagece, inclusive foi o propositor de seu aprovado Título de Cidadão Missãovelhense, dessa forma a Câmara Municipal através de seu Presidente dará todo apoio ao Cariri Cangaço 2013, juntamente com nosso Prefeito, senhor Tardiny, na data aprazada para que Missão Velha receba o festejado Cariri Cangaço.

No dia de Cariri Cangaço 2013 em Missão Velha teremos entre outros eventos: A aposição da foto do Coronel Izaías Arruda no Salão Nobre de ex-prefeitos no Paço Municipal; com a presença da filha de Izaías Arruda, Dona Orlandina, além de outros familiares. O que por si só já é motivo de muita alegria para todos os que pesquisam e estudam esse maravilhoso fenõmeno tipicamente nordestino. Estamos aguardando a todos do Cariri Cangaço. Que venha 2013!

João Bosco André
Vice-Presidente do GECC e Conselheiro Cariri Cangaço
Missão Velha - Ceará

NOTA CARIRI CANGAÇO: Devo dizer que tenho por Missão Velha um amor incondicional, não só por tudo que ela representa para nosso Cariri, mas pela forma carinhosa e respeitosa como sempre nos acolheu, e hoje é orgulho para mim e toda minha família o fato de ser Cidadão de Missão Velha. Abaixo transcrevemos uma postagem do ano passado, mas que por questão de justiça vamos repostar, e em nome do amigo/irmão Bosco André, homenageamos a toda Missão Velha.

Bosco André o verdadeiro sentimento de
Missão Velha! 

Rapaz; existem destas pessoas que são marcantes. Por onde vão passando deixam o rastro de camaradagem, coleguismo, retidão, alegria, confiança, enfim. Se este "cabra" for do sertão, ainda sobram muito mais adjetivos para elencar. Assim é João Bosco André; espetacular cidadão de Missão Velha e do Mundo... Só para vocês terem uma ideia o homem é primo do Dom Pedro II e amigo pessoal do Papa.

Bosco André e Manoel Severo

Uma boa conversa com Bosco André é receita garantida de uma visita de sucesso para qualquer pesquisador das boas coisas de nosso cariri. Sem dúvidas, Bosco, ao lado de Napoleão Tavares Neves e de Huberto Cabral, são os tres maiores memorialistas de nosso amado Cariri.

Bosco André e Manoel Severo

Coronel Santana, Serra do Mato, Fonte da Pendência, Coronel Zé Dantas, Isaias Arruda, Joca do Brejão, Engenho de Santa Teresa, Fogo do Taveira, Fazenda Padre Cícero, Torno dos Linardes, Zé Gonçalves... menino, se puxar assunto o homem vai longe e nos encanta a todos com sua atenção, disponibilidade e cordialidade. João Bosco André, é vice-presidente do GECC , Conselheiro Cariri Cangaço, um grande pai de família e um dos maiores carateres que conheço.

A você que gosta das coisas do sertão, que ama o nordeste e que se apaixonou pelo Cariri Cangaço, não deixe de vir até aqui e travar um "bom combate" com esse grande amigo e grande companheiro , João Bosco André, ou simplesmente "Padre Bosco".

Manoel Severo
Cidadão de Missão Velha
Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com

Macaé, Juazeiro e Dores...é o Cariri Cangaço 2013 !


Caro amigo e irmão Severo, primeiramente, desejamos, eu e meu pai, um grande 2013 para você e a todos que você gosta! Que seja pleno de amor, felicidade e harmonia e que você possa alcançar todos os seus objetivos em sua plenitude.Agora, ficamos muitos felizes em saber da realização do Cariri Cangaço 2013! Nós, aqui do nosso cantinho, aslongínquas terras do interior do Rio de Janeiro, ou seja, Macaé, estamos torcendo por você e por toda sua comissão nessa nova jornada. Estamos à sua disposição para qualquer coisa que precisar.
Felicitações e um grande abraço cheio de saudades desses dois caipiras do Rio de Janeiro.

Felipe e Marcos Passos
Macaé - Rio de Janeiro


Olá Sr. Severo!

Fiquei muito feliz em ver o Cariri Cangaço em plena atividade, com seus
projetos! Parabéns!

Tomara que tudo corra muito bem, conforme o seu planejamento, Feliz 2013!

Um abraço
Maria do Carmo Pagan Forti


Querido amigo Severo !

É com imensa satisfação que recebemos notícias do Cariri Cangaço 2013, que com certeza terá o mesmo brilhantismo dos anos anteriores e, com a ajuda dos parceiros fiéis, será a melhor de todas as edições.

Nos anos anteriores fiquei impossibilitado de estar aí com vocês e conhecer in loco as riquezas históricas e culturais do nosso Cariri, bem como sua boa e receptiva gente. Mas, com as bençãos de Deus, N. Sra. das Dores se fará presente neste edição.

Transmita a todos os organizadores e parceiros nosso abraço e os votos de sucesso em mais esta jornada.

Estou à disposição no que vocês acharem que posso ajudar!
Abraço fraterno do amigo sergipano,

João Paulo
Projeto Memórias
Dores - Sergipe

http://cariricangaco.blogspot.com


Considerações Biográficas sobre Dona Maria Joaquina de Souza (Maria Correia), a parteira das mulheres pobres de Mossoró (RN)

Por: José Romero Araújo Cardoso

Considerações Biográficas sobre Dona Maria Joaquina de Souza (Maria Correia),  a parteira das mulheres pobres de Mossoró (RN)

Dona Maria Joaquina de Souza (Maria Correia) nasceu no Sítio Carmo, município de Mossoró (RN), no dia quatro (04) de Dezembro (12) de 1927, falecendo na Capital do Oeste Potiguar aos cinco (05) de Fevereiro (02) de 2007.
          
Residiu por longos anos na Rua Venceslau Braz, número 1628, Bairro Barrocas. Foi casada com o senhor Antônio Caetano de Souza, também natural de Mossoró (RN), nascido na comunidade rural de Jurema seca. 
          
Ambos conheciam profundamente sobre as condições de vida do povo mossoroense, sobretudo daquele que habita a zona rural, com sua falta de perspectiva e vítima da ausência do Estado quanto a elaboração de políticas públicas que possam beneficiar infortunados, devido ao favorecimento de poucos.
          
O casal teve seis filhos: Francisco Antônio de Souza (falecido), Raimunda de Souza (falecida), Manuel Francisco de Melo Neto (falecido no dia dez (10) de Setembro (09) de 2002, com 49 anos), Antônia Maria de Souza(nascida no dia vinte e nove (29) de Janeiro (01) de 1957), Maria das Graças de Souza (falecida) e José Maria de Souza, tendo  adotado ainda uma criança do gênero feminino, a qual deu o nome de Maria Leite de Souza.
          
As informações prestadas a fim de compor a presente contribuição biográfica de Dona Maria Joaquina de Souza (Maria Correia) foram fornecidas pela Sra. Antônia Maria de Souza, pelo esposo desta, de nome Gutemberg Oliveira de Souza (nascido no dia dezenove (19) de Fevereiro (02) de 1950) e pelos netos Salizete Oliveira de Souza (nascida no dia cinco (05) de Março (03) de 1976) e Vandemberg Oliveira de Souza (nascido no dia quatro (04) de Junho (06) de 1982), residentes na Rua Venceslau Braz, Bairro Barrocas, Mossoró (RN), bem próximo da casa onde morou a Sra. Maria Joaquina de Souza (Maria Correia).
          
Cópias de documentos pessoais da Sra. Maria Joaquina de Souza (Maria Correia) foram fornecidas pelos familiares: O número do RG é 200.085. O CPF é 062964674-00. O título eleitoral traz o número de inscrição 74548516/60 – Zona 034 – Seção 0013 – Data de Emissão: 18/09/1986.
          
A convivência intensa com a mãe enfatizou na filha Antônia Maria de Souza o desenvolvimento de habilidade em realizar partos, pois a mesma contabilizou o número de trinta e dois efetivados quando de assistência a Dona Maria Joaquina de Souza (Maria Correia) em seus trabalhos ginecológicos práticos, tendo em vista que era intensa a procura pelos serviços da experiente parteira tradicional que fez muito pelas pessoas pobres da Terra de Santa Luzia do Mossoró.
          
Além de realizar trabalho extraordinário como parteira tradicional Dona Maria Joaquina de Souza foi líder comunitária, exercendo o cargo de presidente do Conselho Comunitário de Barrocas I. Segundo o advogado José Wellington Barreto, em livro por título de “Importantes Lideranças do Movimento Comunitário de Mossoró”, página 219, “Maria foi presidente de 1991 a 1994. Lutou e conquistou obras de infraestrutura, como pavimentação de casas, praças, melhoria da segurança pública, curso de qualificação profissional, respeito aos jovens e idosos”.
          
A importância das parteiras tradicionais para a assistência de mulheres pobres é indiscutível, sobretudo em regiões carentes espalhadas pelo mundo, as quais imprescindem de auxílio em razão que ainda são precárias as condições de saúde devido a ineficiência do Estado e privilégio das classes mais favorecidas com relação a esse importante setor relacionado à qualidade de vida do gênero humano.
          
Existiu em Mossoró (RN) uma grande mulher, consciente do papel que deveria desempenhar junto aos seus semelhantes, em vista que o trabalho desenvolvido durante décadas foi responsável pela salvação de centenas de vidas devido à intervenção da mais tradicional parteira que deu importante contribuição às famílias pobres da Capital do Oeste Potiguar.
          
Seu nome era Maria Correia, moradora da Rua Venceslau Braz, localizada no Bairro Paredões. Em sua residência existiam leitos a fim de acomodar parturientes pobres que não podiam pagar por serviços médicos.
         
A pobreza mossoroense afluía em massa em busca dos seus cuidados, pois nunca se negou em atender famílias carentes a qualquer hora do dia ou da noite, pois seu compromisso sempre foi com a vida em sua dimensão maior. Maria Correia foi exemplo de obstinação em servir ao próximo, sem buscar nenhuma recompensa para sua luta hercúlea em prol da edificação do bem comum.
          
Amiga de políticos importantes, sempre usou sua influência visando concretizar melhores condições infraestruturais para a clientela carente que assistiu durante sua digna trajetória no plano terrestre.
          
Nenhuma mulher gestante pobre chegava à sua residência sem receber os cuidados necessários embasados em seus conhecimentos práticos, os quais efetivavam de forma brilhante e precisa, pois a parteira Maria Correia tornou-se expert em diagnosticar e tratar casos de gravidez de risco que exigiam certos cuidados especiais a fim de garantir o bem estar da mãe e da criança que esta carregava no ventre.
          
As gestantes que Dona Maria Correia assistia só saiam de sua residência quando se encontravam em condições absolutamente exatas de ter uma vida normal. Dona Maria Correia não media esforços para dar o melhor para suas pacientes.
          
A grande parteira de Mossoró (RN) não tinha orgulho em sair à rua para pedir o que necessitava para ser usado nas mulheres carentes que tratava, razão pela qual se tornou bastante conhecida e bem-quista no meio político local.
          
Grandes personalidades com atuação no cenário nacional vislumbraram com afeto o trabalho realizado pela heroína mossoroense que empenhou sua vida em busca de melhores condições de existências para seus semelhantes sofredores.
          
Aglomerados humanos localizados na periferia de Mossoró (RN), marcados pelo sofrimento e pela exclusão, foram sobremaneira beneficiados com o humanismo que alicerçava as ações da mais devotada parteira tradicional da terra de Santa Luzia.
          
Bairros mossoroenses inteiros, como Paredões, Barrocas, Bom Jardim e Santo Antônio, os quais não contavam na época com a prestação de serviços médicos garantidos pelo Estado, tiveram em Dona Maria Correia um porto seguro com o qual sempre puderam contar nas horas de maior aflição, quando famílias se desesperavam em busca de socorro que pudesse viabilizar o aumento da prole.
          
Dona Maria Correia, com fidalguia e extrema abnegação, acolhia todas as mulheres pobres que lhe procuravam, intuindo um bom parto, menos sofrimento nas horas difíceis que assinalam a angústia de não ter com quem contar quando se trata de assistência médica que possa salvar vidas.
          
Além de parteira de raros dotes, possuindo extrema habilidade na divina arte de viabilizar a vinda de uma nova vida a este planeta, Dona Maria Correia também realizava com precisão intervenções pertinentes à enfermagem, como aplicar injeções, fazer curativos e aliviar sofrimentos diversos que incomodavam e ainda incomodam parcela significativa da população carente em todo mundo.
          
Centenas, talvez milhares de famílias de baixa renda da Capital do Oeste potiguar devem agradecer bastante ao Grande Arquiteto do Universo por ter enviado um anjo de luz que ajudou bastante a aliviar infortúnios e sofrimentos, razão pela qual há de ser enfatizada a oportuna homenagem feita a Dona Maria Correia quando esta se tornou patrona do Hospital da Mulher inaugurada em Mossoró (RN), cujo trabalho vem reeditando bastante as lutas heróicas da grande mulher que honrou o solo no qual se desenrolam batalhas titânicas em prol da elevação do gênero humano.

Conforme ainda José Wellington Barreto, na supramencionada obra, corroborado pelos familiares, Dona Maria Joaquina de Souza (Maria Correia) era amiga pessoal da atual Governadora do Estado do Rio Grande do Norte, Dra. Rosalba Ciarlini Rosado “que tinha por Maria uma inestimável admiração, porque ela, Rosalba, como médica e mãe, sabia o quanto a líder tinha sido importante para as famílias pobres de Mossoró” (Idem; Ibidem).  
          
Agradecida pelo trabalho exemplar desempenhado por Dona Maria Joaquina de Souza, velório e enterro da mesma, ocorrido respectivamente nos dias cinco (05) e seis (06) de Fevereiro (02) de 2007, a população mossoroense, sobretudo a residente nos Bairros Barrocas, Paredões, Bom Jardim e Santo Antônio, afluiu em massa para prestar última homenagem àquela que, em oportuna expressão do advogado José Wellington Barreto, tornou-se “uma verdadeira lenda da luta humanitária e social de Mossoró (Idem; Ibidem)”.

José Romero Araújo Cardoso é Geógrafo. Professor-adjunto do Campus Central da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Contato: romero.cardoso@gmail.com.

Enviado pelo autor: José Romero Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

LITERTURA SOBRE LAMPIÃO E O CANGAÇO


 

 A CAATINGA SUSTENTOU; O CAMPESINO E O CANGACEIRO POR MARCOS MEDEIROS. 2010

Luxuoso livreto de cordel. A caatinga sustentou o campesino e o cangaceiro. 
Uma obra de Marcos Medeiros  ano 2010 - Coleção queima- bucha de cordel - Mossoró - Em julho 2010.


http://portaldocangaco.blogspot.com.br/

O amor de Maria Bonita e Lampião provocou uma revolução no cotidiano dos cangaceiros

Por: Bonnie e Clyde do sertão

O amor de Maria Bonita e Lampião provocou uma revolução no cotidiano dos cangaceiros

Uma sertaneja amoleceu o coração de pedra do Rei do Cangaço. Foi Maria Gomes de Oliveira, a Maria Déa, também conhecida como Maria Bonita. 

Primeiro marido de Maria Bonita

Separada do antigo marido, o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Neném, foi a primeira mulher a entrar no cangaço. Antes dela, outros bandoleiros chegaram a ter mulheres e filhos, mas nenhuma esposa até então havia ousado seguir o companheiro na vida errante no meio da caatinga. 

O primeiro encontro entre os dois foi em 1929, em Malhada de Caiçara (BA), na casa dos pais de Maria, então com 17 anos e sobrinha de um coiteiro de Virgulino. No ano seguinte, a moça largou a família e aderiu ao cangaço, para viver ao lado do homem amado. Quando soube da notícia, o velho mestre de Lampião, Sinhô Pereira, estranhou. 

Sinhô Pereira

Ele nunca permitira a presença de mulheres no bando. Imaginava que elas só trariam a discórdia e o ciúme entre seus “cabras”. Mas, depois da chegada de Maria Déa, em 1930, muitos outros cangaceiros seguiram o exemplo do chefe. Mulher cangaceira não cozinhava, não lavava roupa e, como ninguém no cangaço possuía casa, também não tinha outras obrigações domésticas. No acampamento, cozinhar e lavar era tarefa reservada aos homens.

A cangaceira Sila - esposa de Zé Sereno

Elas também só faziam amor, não faziam a guerra: à exceção de Sila, mulher do cangaceiro

O cangaceiro Zé Sereno

Zé Sereno, não participavam dos combates – e com Maria Bonita não foi diferente. O papel que lhes cabia era o de fazer companhia a seus homens. Os filhos que iam nascendo eram entregues para ser criados por coiteiros. Lampião e Maria tiveram uma filha, Expedita, nascida em 1932. 

Expedita Ferreira Nunes - Filha de Lampião e Maria Bonita

Dois anos antes, aquele que seria o primogênito do casal nascera morto, em 1930. Entre os casais, a infidelidade era punida dentro da noção de honra da caatinga: o cangaceiro 

O cangaceiro Zé Baiano

Zé Baiano matou a mulher, Lídia, a golpes de cacete, quando descobriu que ela o traíra com o colega Bem-Te-Vi. Outro companheiro de bando, Moita Brava, pegou a companheira Lili em amores com o cabra Pó Corante. Assassinou-a com seis tiros à queima-roupa. A chegada das mulheres coincidiu com o período de decadência do cangaço. Desde que passou a ter Maria Bonita a seu lado, Lampião alterou a vida de eterno nômade por momentos cada vez mais alongados de repouso, especialmente em Sergipe. 

A influência de Maria Déa sobre o cangaceiro era visível. “Lampião mostrava-se bem mudado. Sua agressividade se diluía nos braços de Maria Déa”, afirma o pesquisador Pernambucano de Mello. Foi em um desses momentos de pausa e idílio no sertão sergipano que o Rei do Cangaço acabou sendo surpreendido e morto, na 

Grota de Angico - Estado Sergipe

Grota do Angico, em 1938, depois da batalha contra as tropas do tenente João Bezerra. Conta-se que, quando lhe deceparam a cabeça, a mais célebre de todas as cangaceiras estava ferida, mas ainda viva.

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/lampiao-dragao-maldade-436085.shtml

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: Kydelmir Dantas


Já está à venda na LIVRARIA NOBEL
Avenida Senador Salgado Filho, 1782 - Lagoa Nova  - Natal - RN
CEP - 59022-000
fone: (0xx) - 84 - 3613-2007

Parceiros potiguares
com verbetes:

Celso da Silveira, Chico Elion, Henrique Brito, Elino Julão, Frei Marcelino, Jandhuy Finizola e Severino Ramos.

Parceiros e intérpretes potiguares
com verbetes:

Ademilde Fonseca, As Potiguaras, Carlos Zens, Coral da Petrobras Mossoró, Khrystal, Marina Elali, Meirinhos, Mirabô Dantas, Nenem do Baião, Orquestra Sinfônica da UFRN, Orquestra Sanfônica de Mossoró, Paulo Tito, Roberto do Acordeon, Terezinha de Jesus, Trio Irakitan, Trio Mossoró, VINA e Zé Lima.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Geraldo Ferraz e a ABE


Toda a família Cariri Cangaço abraça ao confrade e Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Geraldo Ferraz, que  foi eleito, mais uma vez, vice-presidente da União Brasileira de Escritores, e da Academia de Letras e Artes de Gravatá, desta feita para atuar no biênio 2013/2014.

Manoel Severo
Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com 

Manoel Neto no Cariri Cangaço 2013 !


Professor Manoel Neto

Grande Xará! Vejo que o ano começa com muito trabalho e muito vontade de realizar mais uma edição do Cariri Cangaço, evento que considero de suma importância para os estudos não só sobre o cangaço, mas, sobretudo, para a história e a memória do Nordeste, por consequência, do Brasil. 

O centro de Estudos Euclydes da Cunha, entidade vinculada a Universidade do Estado da Bahia - UNEB, da qual sou o Coordenador se disponibiliza a ajudar no que for necessário para divulgar este Evento. è nossa intenção também participar diretamente este ano, comparecendo ao Encontro.

Grande Abraço,
Manoel Neto - UNEB - Universidade do Estado da Bahia
Salvador - Bahia

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A origem do topônimo Favela na geografia urbana brasileira


(*) José Romero Araújo Cardoso

Forrageira nativa do semiárido nordestino, encontrada em todos os Estados da região, a favela (Cnidoscolus phyllacanthus (Muell. Arg.) Pax. Et K. Hoffman) é um arbusto de grande porte da família das Euphorbiaceae bastante consumido pelo animais, sobretudo quando das grandes secas.

Seus espinhos urticantes e o látex que exsudam quando os galhos são cortados, consistem nas características botânicas mais proeminentes apresentadas por esta planta das caatingas.

Quando da guerra de Canudos, tropas do Exército Brasileiro concentraram-se no Morro da Favela, o qual tinha essa denominação devido a profusão impressionante dessa espécie vegetal bastante comum na região onde se desenrolavam os conflitos no sertão baiano.

Diversos soldados do contingente carioca que regressara após concluído o massacre do aldeamento místico erguido sobre a ênfase das pregações carismáticas de Antônio “Conselheiro”, devido razões econômicas, pois deixaram de receber o soldo mensal e não puderam mais custear a permanência nas antigas habitações que ocupavam antes do conflito sertanejo, começaram a ocupar o Morro da Providencia, localizado atrás da Estação Ferroviária Central do  Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Alguns militares, veteranos da campanha de Canudos, trouxeram sementes da planta do semiárido nordestino, a qual foi introduzida com sucesso no solo árido existente nas adjacências do Morro da Providência.

Houve impressionante expansão das faveleiras pela encosta do morro, dando ênfase para que houvesse correlação com o acidente geográfico no qual se estabeleceram no sertão baiano, pois à semelhança com o morro da favela imperava no lugar a ausência de infraestrutura que permitisse mínima condição de existência para os moradores que se instalaram na Providência.

Discussões constantes, contendas por motivos fúteis e banais, integravam de forma indelével a paisagem no Morro da Providência, referendando ainda mais a decisão dos moradores em denominar de “Favela” o local onde construíram suas moradias insalubres.

Com a intensificação da campanha sanitarista levada avante pela equipe comandada pelo médico Oswaldo Cruz, cujo combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor de doenças tropicais como a febre amarela e a dengue, as quais transformavam o Rio de Janeiro no calvário de estrangeiros e nativos, fomentou a vacinação obrigatória da população e o desalojamento dos habitantes dos cortiços, bem como a destruição destes, localizados em áreas atualmente hipervalorizadas, como a Avenida Vieira Souto.

A população de baixíssima renda, sem condições de ocupar outros espaços urbanos que não fossem os morros, começaram a seguir os passos dos militares cariocas que retornaram de Canudos.

Houve exponencial formação de aglomerados subnormais que passaram a ser denominados de “Favelas”, o que popularizou extraordinariamente o topônimo na geografia urbana brasileira.

Ainda marcadas pela ineficiência ou mesmo ausência da ação do Estado em prol da melhoria das condições de vida da população, as “Favelas” brasileiras revelam indicadores sociais e econômicos que atestam as diferenças interclasses que caracterizam a sociedade desde os primórdios da colonização, pois a preponderância de negros e mestiços instiga reflexão de que as mesmas constituem a reedição das antigas senzalas de outrora.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.

Enviado pelo Autor

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Acesse:

http://sednemmendes.blogspot.com     

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cangaceiros em Brasília!

Por: Cariri Cangaço

Por toda esta semana estaremos em Brasília - DF; por aqui teremos duas reuniões no Ministério da Cultura e uma no Ministério do Turismo, quando apresentaremos o Cariri Cangaço ao Governo Federal. O Portfólio com as três últimas edições de nosso evento mostra o evento em toda sua magnitude e grandeza.

Cariri Cangaço, evento com uma temática genuinamente nordestina que conquistou o país e em apenas sua última edição recebeu participantes de 16 Estados do Brasil; 125 pesquisadores e estudiosos de temáticas nordestinas e 2.023 expectadores nos 7 municípios anfitriões. 

De Brasília mais uma parada: São Paulo, quando também iremos fazer uma apresentação do Cariri Cangaço a potenciais parceiros realizadores e patrocinadores. 

E que venha o Cariri Cangaço 2013!

Manoel Severo 
Cariri Cangaço - Conselho

http://cariricangaco.blogspot.com.br

Mané Garrincha: Trinta anos sem a alegria do povo

Por: José Romero Araújo Cardoso

“Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado,
Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado,
No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração,
Que as jornadas da vida, são bolas de sonho.
Que o craque do tempo chutou.” (Balada Número 7 – Alberto Luiz)

Mané Garrincha

Manuel Francisco dos Santos nasceu no dia vinte e oito de outubro de 1933 na pequena localidade de Pau Grande (RJ) e faleceu no dia vinte de janeiro de 1983, data dedicada a São Sebastião.

Foi ele quem se tornou responsável pela volta do sorriso no Maracanã, depois da trágica partida entre Brasil e Uruguai na final da copa de 1950, quando acreditando que o jogo estava ganho, os brasileiros perderam inacreditavelmente o que seria a primeira conquista da taça Jules Rimet.

As pernas tortas e os dribles desconcertantes tornaram-se marcas registradas do habilidoso ponta direita do Botafogo. A torcida da estrela solitária do futebol carioca enriqueceu-se consideravelmente depois da contratação do homem que entrou para a história como Mané Garrincha.
          
Convocado para a seleção brasileira, em parceira com Pelé responsabilizaram-se pelo desequilíbrio nos esquemas táticos das poderosas seleções européias quando da copa de 1958. O Brasil sagrou-se campeão mundial pela primeira vez. Garrincha e Pelé tornaram-se heróis nacionais.
          
Na copa de 1962, em gramados chilenos, Garrincha deu verdadeiros shows de bola, levando ao delírio torcidas inteiras, independentes de nacionalidade, com magnífico futebol-arte que encantou o planeta.
          
A habilidade de Garrincha com a bola levou certo jornalista inglês a indagar a Aymoré Moreira, técnico da seleção brasileira, se aquele atleta realmente era desse planeta. A final da copa de 1962 contra a Tchecoslováquia foi marcada pelos estonteantes dribles e passes do humilde jogador com nome de passarinho.
          
A copa de 1966 marcou o ocaso da estrela do futebol brasileiro, pois em razão da opção nefanda pelo consumo desenfreado de bebidas alcoólicas, aliada às muitas contusões sofridas, fizeram com que Garrincha não rendesse nada. O Brasil foi desclassificado na primeira fase.
          
Garrincha, então, intensificou sua destruição dia após dia, despedindo-se do futebol no ano de 1973. Dez anos depois falecia vítima de cirrose hepática aguda. Morreu pobre e esquecido de muitos daqueles que em épocas pretéritas fez a felicidade em dias de glórias marcadas pelo sucesso de suas jogadas sensacionais.
          
Garrincha marcou época, tornou-se ícone do esporte nacional, foi a alegria do povo, responsável por momentos gloriosos do Botafogo carioca, fez vibrar estádios com seus dribles mágicos que pareciam ter saídos de contos mirabolantes envoltos na mais pura ficção, mas eram reais, notáveis, verdadeiras pinturas do talento que ele não soube aproveitar.
          
A opção pelo álcool destruiu um mito brasileiro, homem simples que levou multidões à euforia em razão da forma caprichosa como sabia lidar com a bola. Garrincha realmente foi a alegria do povo, pois fez brotar sorrisos em rostos sofridos que enxergavam no anjo das pernas tortas alento para aflições de vidas marcadas pelas desditas alimentadas pela ausência de esperança.
          
Há trinta anos falecia um dos maiores jogadores do planeta, cujas jogadas inacreditáveis imortalizaram-no por séculos infinitos, enquanto houver espaço para o futebol enquanto esporte.

 Enviado pelo autor

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.

E que venha o Cariri Cangaço 2013...


Amigo Severo,  Excelente! Viva o Cariri Cangaço 2013!Conte com nossa ajuda, qualquer que seja ela.

Um grande abraço, 
Honório de Medeiros
Mossoró - RN


Valeu Severo, tô dentro! Qualquer coisa é só falar.

Abraços
Wilson Seraine
Teresina-PI


Coroné Manoel Severo, estamos prontos para veicular as preliminares. emporquei-me e afirmo que é super aprovada a possibilidade de novas cidades agregadas ao evento.

Kiko Monteiro
Lagarto-Sergipe

http://blogdomendesemendes.blogspot.com