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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O SEU MELHOR PRESENTE (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
 Rangel Alves da Costa

O SEU MELHOR PRESENTE 


De repente toca a campainha e na porta estará uma belíssima cesta de natal: docinhos, chocolates, geleias, panetones, brioches, além de vinhos, outras bebidas importadas, flores e uma reluzente joia. E um cartão com os seguintes dizeres: Que este presente reflita bem a pessoa que você é! 

De outro modo, simplesmente chegam à sua casa para uma visita e levam à mão um embrulho requintado, cheio de enfeites e lacinhos, dizendo que é o presente de final de ano, e ao abrir encontra as mais agradáveis e maravilhosas surpresas: a poesia de Florbela Espanca, um CD antológico do MPB4, uma Bíblia Sagrada em dourada brochura. Ou outras dádivas das lembranças. Mas eis que surge a indagação: será este o seu melhor presente?



Creio não seja demasiada intromissão perguntar se você realmente merece o presente encontrado com tanto esforço e adquirido com tanto carinho; se suas ações, gestos e atitudes condizem com o oferecimento de tão preciosa lembrança; se a pessoa que tem mostrado ser verdadeiramente merece uma recordação tão cativante.

Não sei como você é, realmente nada sei sobre você. Engana-se quem diz conhecer o outro como a palma da mão, principalmente porque, muitas vezes, nem a própria pessoa se reconhece, sabe verdadeiramente quem é. E um presente a ser oferecido a alguém assim só pode ser imaginado a partir de duas premissas: imaginar o que poderia ser ou mentir a si mesmo, no intuito de agradar.

Realmente não sei se uma pessoa egoísta mereça uma flor da manhã; por outro lado sei qual presente daria àquela que nunca faltou amizade. Verdadeiramente não sei se vale a pena agradar, agindo por pura bajulação, presenteando quem se esforça para fugir da presença; e por outro lado sei quanto vale o esforço para agradar aquele descrito no poema: Oh, quanto me agrada quem me reconhece na escuridão

Contudo, quem oferece o que bem deseja nada tem a ver com o merecimento, ou não, de quem recebe. Presume-se, de toda sorte, que aquilo oferecido reflete a consideração que a pessoa tem com relação ao presenteado. O que importa aqui, pois, não é saber do seu mérito, mas simplesmente indagar se intimamente você se reconhece como pessoa merecedora.

Pensar assim envolve outros aspectos. Mesmo que você se ache com valor suficiente para o que recebeu, e que pela pessoa que é poderia receber o mais valorizado presente, ainda assim – ao menos neste momento – preferia ser lembrada com uma lembrancinha mais simples, mais singela. Como um ramalhete faria bem ao seu coração, como uma mera bijuteria faria bem ao espírito.

Pessoas de bom coração, que pautam sua existência pela valorização de aspectos como humildade, companheirismo, amor verdadeiro e reconhecimento do próximo, geralmente são aquelas que renegam o luxo, joias reluzentes, modismos exacerbados. A estas bastam, tantas vezes, o prazer da presença, o compartilhamento, um abraço afetuoso, uma palavra amiga

Diferentemente de outras que se impõem valores – pois pessoas egoístas, orgulhosas, vaidosas, verdadeiramente chatas -, aquelas de sublime coração veem sempre com outro valor o presente recebido. E tal valor certamente está distante da importância material, do quanto o outro gastou ou do que acham que realmente merecem.

Houve um tempo em que as lágrimas chegavam aos olhos quando o carteiro entregava o cartãozinho de natal. Não está muito distante quando alguém se enchia de felicidade ao receber um calendário de bolso ou de parede, uma pequena agenda, uma garrafa de sidra. Mas hoje ninguém corra o risco de entregar – somente – um cartãozinho de natal. E então ressurge a sabedoria dos velhos brocardos: Ó tempore, ó mores! Que tempos, que costumes nesse nosso corrompido tempo!

 
No sertão de onde vim as singelas lembrancinhas sumiram de vez. Em Nossa Senhora do Poço Redondo há muito que não se fala mais em toalha bordada à mão, em passadeira produzida artesanalmente com renda de bilro, em bonecas de panos, em um punhado dos frutos da terra. Atualmente, da infância à velhice outra coisa não prevalece que não os modismos tecnológicos.

Será que os meus conterrâneos, nos dias atuais, gostariam de ser presenteados com um chapéu de couro ou um cantil de matar a sede, ou ainda, quem sabe, um alforje de caçador? Talvez quisessem também. Mas primeiro o celular recém-lançado ou a televisão de plasma. Merecem ter tudo, porém desde que não afastem de si a simplicidade, o encanto singelo da vida.


(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.



(*)Poeta e cronista

blograngel-sertao.blogspot.com

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2013!

Por: Dr. Lima
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Dr. Lima - Estúdio FM Comunitária 98,7MHz

O Natal se aproxima e com ele chega 2013.

É momento de Paz, Alegria, Reflexões, Comemoração, Orações, Troca de Presentes, Fazer e Receber Visitas de Amigos e Parentes.

Quero expressar a minha solidariedade a todos aqueles que aproveitam este momento para viver o Nascimento do Menino Jesus e festejar a chegada do Ano Novo.

Que possamos sentir a presença de Jesus nas grandes comemorações, nas reuniões de famílias, nas crianças abandonadas, nos moradores de rua, nos enfermos e encarcerados, nas famílias sem lar, nos que sofrem descriminações ou injustiças sociais, naqueles que já não encontram mais motivos para sorrir e nem esperança de serem felizes.

Que 2013 seja um ano de fartura para o nosso trabalhador rural, de muitas alegrias para as donas de casa, de muito sorriso no rosto de nossas crianças, de amor e paz para nossa juventude.

Quero convidar a todos para continuar a nossa luta em defesa dos necessitados, sendo porta-voz daqueles que não sabem falar, denunciando as mazelas da nossa sociedade e as injustiças sociais.

Quero agradecer aos milhares de ouvintes dos programas Agronomia em Ação -Caminhando com a Comunidade- e A Comunidade e o Cidadão (ZYL – 383 - Rádio FM Comunitária 6 de Abril – Cruz - CE) e aos leitores dos Blogs www.blogdafolha.blogspot.com.br;

www.blogdodrlima.com e www.mendesemendes.com através dos quais levamos noticias com credibilidade e responsabilidade a todos os nossos leitores.

Que seja um ano de geração de emprego e renda para nossa juventude. Que todas as festas e alegrias de Fim de Ano permaneçam entre nós no Ano Novo. 

Que as Luzes do Natal nos iluminem em 2013.

Dr. Lima

http://blogdodrlima.blogspot.com.br

Lampião, o rei do cangaço


NASCE UM BANDIDO 

Apesar de ser o maior ícone do Cangaço, Lampião não foi o criador do movimento. Os relatos mais antigos de cangaceiros remontam a meados do século 18, quando José Gomes, conhecido como Cabeleira, aterrorizava os povoados do sertão. Lampião só nasceria quase 130 anos mais tarde, em 1898, no sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada, no Estado de Pernambuco. Após o assassinato do pai, em 1920, ele e mais dois irmãos resolveram entrar para o bando do cangaceiro Sinhô Pereira.

O cangaceiro Sinhô Pereira

Duramente perseguido pela polícia, Pereira decidiu sair do Nordeste e deixou o jovem Virgulino Ferreira, então com 24 anos, no comando do grupo. Era o início do lendário Lampião. Os dezoito anos no cangaço forjaram um homem de personalidade forte e temido entre todos, mas também trouxeram riqueza a Lampião. 

Frederico Pernambucano de Melo

No momento da sua morte, levava consigo 5 quilos de ouro e uma quantia em dinheiro equivalente a 600 mil reais. "Apenas no chapéu, ele ostentava 70 peças de ouro puro", ressalta Frederico de Mello. Foi também graças ao cangaço que conheceu seu grande amor: Maria Bonita.

Maria Bonita

Em 1927, após uma malograda tentativa de invadir a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Lampião e seu bando fugiram para a região que fica entre os Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Bahia. O objetivo era usar, a favor do grupo, a legislação da época, que proibia a polícia de um Estado de agir além de suas fronteiras. Assim, Lampião circulava pelos quatro Estados, de acordo com a aproximação das forças policiais.

Raso da Catarina 


Numa dessas fugas, foi para o Raso da Catarina, na Bahia, região onde a caatinga é uma das mais secas e inóspitas do Brasil. Em suas andanças, chegou ao povoado de Santa Brígida, onde vivia Maria Bonita, a primeira mulher a fazer parte de um grupo de cangaceiros. A novidade abriu espaço para que outras mulheres fossem aceitas no bando e outros casais surgiram, como 

Os cangaceiros Corisco e Dadá 

Corisco e Dadá e Zé Sereno e Sila. Mas nenhum tornou-se tão célebre quanto Lampião e Maria Bonita. Dessa união nasceu Expedita Ferreira, filha única do lendário casal.

Expedita Ferreira - Filha de Lampião e Maria Bonita - próxima aos 80 anos

Logo que nasceu, foi entregue pelo pai a um casal que já tinha onze filhos. Durante os cinco anos e nove meses que viveu até a morte dos pais, só foi visitada por Lampião e Maria Bonita três vezes. "Eu tinha muito medo das roupas e das armas", conta. "Mas meu pai era carinhoso e sempre me colocava sentada no colo pra conversar comigo", lembra dona Expedita, Vivendo em Aracaju, capital de Sergipe, Estado onde seus pais foram mortos.

CABEÇAS NA ESCADA

Em julho de 1938, após meses perambulando pelo Raso da Catarina, fugindo da polícia, Lampião refugiou-se na Grota do Angico, perto da cidade de Poço Redondo. 

Grota do Angico, em Sergipe

Ali, no meio da caatinga fechada, entre grandes rochas e cactos, o governador do sertão - como gostava de ser chamado - viveu as últimas horas dos seus 40 anos de vida. Na tentativa de intimidar outros bandos e humilhar o rei do cangaço, Lampião, Maria Bonita e os outros nove integrantes do grupo mortos naquela madrugada foram decapitados e tiveram as cabeças expostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas, em Alagoas. 

Cabeças dos bandidos assassinados -inclusive Lampião e Maria Bonita

Os que conseguiram escapar se renderam mais tarde ou se juntaram a Corisco, o Diabo Loiro, numa tentativa insana de vingança que durou mais dois anos, até a morte deste em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Estava decretado o fim do cangaço.

Não são poucas as lendas que nasceram com a morte de Lampião. Uma fala de um tesouro que ele teria deixado enterrado no meio do sertão. Outra conta que Lampião não morreu na madrugada de 28 de Julho de 1938, fugindo para o Estado de Minas Gerais (conversa mal contada). Mas a verdade é que, mesmo 75 anos depois da sua morte, Virgulino Ferreira da Silva, aquele menino do sertão nordestino que se transformou no temido Lampião, ainda não foi esquecido. E sua extraordinária história leva a crer que nunca o será.

*Matéria publicada na edição #135 da revista Os Caminhos da Terra.

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Despretoebranquizar o passado

Por: Rubens Antonio
Minha foto

Colorir fotos antigas ajuda a romper um certo imobilismo intelectual ou entraves, em relação à contemplação do passado. 
Talvez a expressão nem seja "colorir o passado", mas sim "despretoebranquizá-lo"... Auxilia-nos rumo a uma percepção mais próxima dos eventos.

Aqui, algumas imagens coloridas e montadas por mim.

Chico Pereira

Arvoredo

Jararaca

Luiz Pedro

Maria, a Basé, e Lampeão.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com.br/


LUÍS FUMEIRO

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 24 de dezembro de 2012. Crônica Nº 935

O nosso livro “O Boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema” terminou cedendo prioridades para outros cinco livros. Estava na frente e foi para o final da fila. No dia 12 de janeiro estaremos lançando os dois já anunciados. Depois iremos fazer força para lançarmos dois romances e um livro de poesia, de uma só vez. Somente após os cinco livros, então, virá a história de Santana.


Faleceu semana passada e, eu nem soube, o fundador do time Ipiranga, de Santana do Ipanema, que muitas glórias e alegria proporcionaram ao povo santanense. Não vi nenhuma homenagem, nem movimento anormal, nada que fizesse justiça ao senhor Luís Soares Filho, conhecido como Luís Fumeiro, por ser vendedor de fumo de rolo, na feira. Luís Fumeiro, além de fundar a Associação Atlética Ipiranga, a essa organização dedicou grande parte do seu capital e de sua vida. Foi dali que saíram muitos jogadores que adquiriram fama na região e no estado, quando o seu rival imorredouro era Ipanema Atlético Clube, também da mesma cidade.

Luiz Fumeiro - mão no queijo

Luís Fumeiro foi quem fundou as Ruas Pancrácio Rocha e Nossa Senhora de Fátima. Fazia casas iniciando as ruas abertas e as vendiam. Foi assim que sustentou o Ipiranga por muitos anos. Estive visitando o desportista em 2006, à Rua do Aterro quando o meu amigo contava com 83 anos de idade. Fiz uma longa entrevista, justamente para o futuro livro sobre a história de Santana, temendo pela falta de memória do nosso povo. Eu tinha razão, pois nem os órgãos noticiosos da cidade falaram sobre sua morte, somente um carro de som que nem foi ouvido por todos nas ruas, inclusive eu. Com o título “Um homem preto e branco”, com o subtítulo (memorial vivo) fiz minha homenagem ao fundador do Ipiranga, dedicando-lhe duas páginas sobre a história do time fundado por ele. Um homem preto e branco porque foi ele mesmo quem deu o nome a Associação e escolheu as cores acima. Foi pena o home ter falecido antes do lançamento do livro, mas o início da história do Ipiranga está registrado com as palavras de Fumeiro.  Agora vale ouro, para a memória do povo santanense.

A entrevista que virá no livro “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema”, registrada às páginas 178 e 179, revelará fatos importantíssimos para o nosso acervo histórico. Solteiro e esquecido faleceu o desportista que ajudou a crescer o futebol da terra, Luís Soares Filho: LUÍS FUMEIRO.

Autobiografia

CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei. 
  Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.
Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seutrabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).


Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático); Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado (romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema(história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).
  
Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.

(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia)

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2012/12/luis-fumeiro.html

Falar com mendigo, nem sempre ele quer esmola

Por: José Mendes Pereira

Todos os dias o mendigo estava na parada do semáforo, no  cruzamento da Presidente Dutra com a Rua Francisco Mota, angariando uma moedinha, ou até mesmo uma cédula com maior valor monetário. 

Algum passava e com um olhar orgulhoso, não lhe dava o mínimo valor. Outro chegava e antes que o sinal liberasse, abria o vidro da porta do seu carro e repassava para ele uma moedinha. Satisfeito, agradecia-lhe dizendo: "-Deus é quem vai lhe pagar". 

Certa vez, já bem próximo ao natal do Senhor Jesus Cristo, o mendigo lá estava, bem vestido, sapatos novos, barba feita, cabelos cortados, unhas limpas e aparadas e cheio de esperanças. Dirigiu-se ao primeiro condutor daquele carro, e com educação pôs-se a bater no vidro da porta.

O condutor que já sabia da sua mania de sempre, indicou com o dedo que não tinha moedas para lhe dar naquele momento. O mendigo insistiu. Até que o condutor já quase irritado, resolveu abrir o vidro da porta para melhor explicar-lhe:

- Com o meu dedo, eu já expliquei que não tenho moeda para lhe dar, rapaz!

O mendigo com paciência e educadamente disse-lhe:

- Eu pedi para o senhor abrir o vidro do seu carro, não para lhe pedir esmola. Hoje o que eu quero do senhor e de todos condutores de automóveis, é que me prestem um pouquinho de atenção: Eu quero desejar ao senhor e a todos condutores de automóveis, seus familiares, amigos e a todos aqueles que fazem parte das suas amizades:  "UM FELIZ NATAL, UM FELIZ ANO NOVO".

O pai que nos deu a vida e nos dá o pão nosso de cada dia também é o pai do mendigo.

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O NATAL É VOCÊ (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

O NATAL É VOCÊ 

O natal é você. Antes de simbolizar a cristandade, o nascimento, a paz, o natal representa o quanto você realizou até este momento, até a data da comemoração. Se não buscou o grão, se não semeou, não cuidou do fruto brotando, então pouco haverá de colher. Assim, festejar o que?

Sim, certamente você, como pessoa tomada do senso de religiosidade, festejará a data pela simbologia cristã que acolhe festivamente o nascimento do Menino Jesus. Ou ainda brindará mais um final de ano, mais um período de muitas lutas vencidas, como um dever cumprido e um agradecimento por continuar entre os seus. Contudo, intimamente, você encontra motivos para comemorar.


Assim, afirmar que o natal, muito mais do que qualquer outra coisa – ainda que tudo seja plenamente válido -, deve ser essencialmente você, significa também afirmar que o brinde será tão mais justo e saboroso se a sua voz interior verdadeiramente agradecer pelo que seu corpo externamente fez. E corpo que envolve a alma, na leveza do contentamento, e o espírito, tão elevado quanto a soma de suas ações.

Talvez tenha muitos amigos e por isso mesmo terá o agraciamento de muitos presentes. Mas a pessoa que recebe a joia é realmente merecedora de recebê-la, a pessoa que agradece o perfume se acha digna de tal lembrança, a pessoa que granjeia uma grata surpresa sente-se reconhecida para tal? O amigo secreto será também amigo em todas as ocasiões?

Se você acha que realmente merece receber tais presentes, mas não pelo que se mostrou enquanto presença durante todo o ano, e sim pelo que silenciosamente fez para o reconhecimento, então merece também o melhor dos natais. E o natal será seu porque você representa o verdadeiro espírito natalino: a bondade que se renova para ser sempre amor!

Que bom que as luzes natalinas estejam também brilhando no seu íntimo, na sua mente, no seu coração. Quem dera que a doce melodia da harpa angelical esteja ecoando também no seu pensamento que se solta, que voa feliz e enternecidamente pelo ar. Que encantador é reconhecer-se assim, igualmente natal.

E o natal será você ainda que nesse período se encha de melancolia, de relembranças e recordações. Só sente saudade quem ama, quem sente falta, quem deseja a presença. E pensar no outro, que já partiu ou simplesmente está ausente, é tão significativo quanto expressar o melhor dos sentimentos. É o dimensionamento do sentir que diz o quanto você se importa consigo e com o próximo. E não há um natal mais bonito.

E já que tem um natal tão bonito, e este natal possui a sua feição e que, portanto, é você, permita que os outros, ou algumas pessoas especialmente, encontrem o seu espírito na sua presença, diante da própria luz. E cada reconhecimento que fizer ao humilde, cada lembrancinha que entregar ao desvalido, cada visita que fizer ao enfermo, cada presença que compartilhar com o idoso, será um verdadeiro presépio aos olhos dos que tão ansiosamente esperam o natal.

O espelho no quarto também quer refletir o natal. Mire-se, olhe, sorria, sinta tudo como um reencontro, uma grande amizade entre velhos conhecidos. Contudo, há sinceridade nos gestos, nos sorriso, nas expressões? Não há nada mais doloroso que o fingimento consigo mesmo, que não ter coragem de ser realista nem diante da própria imagem. As luzes são inexistentes numa pessoa assim, e não haverá natal se assim for você.


Por outro lado, o reflexo do espelho é mais verdadeiro que a própria pessoa. Igualmente a fotografia que invisivelmente envelhece junto com o seu dono, o espelho jamais nega a realidade da pessoa que se coloca à sua frente. Daí que o espelho reconhece a razão do brilho no olhar, o sorriso exposto, o aspecto alegre ou entristecido. E intimamente também dirá quanta felicidade é refletir uma feição com a singeleza do natal.

Verdade que o natal existe para todos, porém poucos são iguais ao natal. Não adianta fingir nas comemorações e nas trocas de presentes. O maior presente só a pessoa mesma pode se dar. Reconhecendo-se digna de recebê-lo, digno também será de compartilhá-lo. E todos esperam ser agraciados do seu natal, pois sabem quanto amor, amizade e honradez existem em você.

Então, Feliz Você. Feliz Natal!

Poeta e cronista
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É Natal


Por: João Mossoró

Mensagem natalina do cantor João Mossoró


João Mossoró

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domingo, 23 de dezembro de 2012

Fitema - 1968

Fitema - Mossoró - RN, 1968.

Fábrica de Fiação e Tecelagem de Mossoró S/A – Fitema, empresa fundada em 1948, e estava sediada na Av. Presidente Dutra, Bairro do Alto de São Manuel, na cidade de Mossoró-RN. A  imagem acima, provavelmente de autoria de 

Fotógrafo Manuelito - Mossoró - telescope.zip.net

Manuelito Pereira, (1910-1980), e captada no ano de 1968, retrata o prédio da fábrica.  Embora alguns artigos disponíveis na internete vinculem o ano de fundação desta fábrica ao ano de criação da Sudene-Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, vale destacar que a criação da Sudene deu-se no governo do Presidente Juscelino Kubistchek, (1906-1976), pela Lei nº 3.962, de 15/12/1959. Portanto, em 1948, o Presidente do Brasil era o Marechal Dutra. Vide página  O Governo de Juscelino Kubistchek.

A implantação desta fábrica estava inserida nas prioridades governamentais relativas ao desenvolvimento do nordeste, conforme pode-se constatar pela ementa desta legislação, publicada no Diário Oficial da União de 18/02/1966: "DECRETO Nº 57824, DE 16 DE FEVEREIRO DE 1966. Declara Prioritaria Ao Desenvolvimento do Nordeste, para Efeito de Isenção de Quaisquer Taxas e Impostos Federais, a Importação de Equipamentos Novos, Sem Similar Nacional Registrado e Consignados a Empresa 'fiação e Tecelagem Mossoro S/a' (fitema), de Mossoro, Estado do Rio Grande do Norte." O texto, na íntegra, deste decreto pode ser acessado na página do Senado Federal.

Esta fábrica era voltada para a produção de fios, cuja matéria-prima era o algodão, e, o produto final, particularmente, destinado para a indústria de redes. No nordeste, desde os primórdios coloniais, as redes são utilizadas para as pessoas dormirem, que no dizer do antropólogo 

Câmara Cascudo - blog.tribunadonorte.com.br

Câmara Cascudo, (1898-1986), substituem higienicamente o colchão.  A instalação da fábrica em Mossoró, cidade já consagrada como um entreposto e empório comerciais do oeste do estado do Rio Grande do Norte,  gerou empregos e trouxe impulso ao surgimento de outras empresas, voltadas à fabricação de redes. Em síntese, o que gera emprego, gera desenvolvimento, ao contrário de bolsas, bolsas, bolsas e bolsas. Bolsa é um produto descartável.

Enéas da Silva Negreiros, 1945.

Enéas da Silva Negreiros, (1911-2005), mossoroense, foi o idealizador e fundador desta fábrica, e um dos sócios majoritários da mesma. Contudo, esta fábrica, como tudo neste país do céu cor de anil, tomou doril, sumiu e faliu. A fábrica funcionou até 1978, deixando um vácuo na economia local. É impressionante que no Brasil, desde a Colônia aos dias atuais, tudo fecha, desaparece, o gato comeu e ninguém viu.  E assim, com o fechamento desta fábrica, assim como outras que fecharam também ao longo do tempo, o Nordeste continua sempre como o exportador máximo de migrantes para o sul do país, fornecedor excepcional de mão-de-obra barata para as indústrias do sul brasileiro maravilha.  

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Telescope.
As fontes pesquisadas para elaboração deste artigo, estão disponíveis, ao longo do texto, em forma de atalhos (links).

1. O Mossoroense - Coluna Cotidiano artigo de Izaíra Thalita - 
http://www2.uol.com.br/omossoroense/010602/cotidiano.htm - acessado em 18/07/2012;
2. Os Anos JK - http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/apresentacao - acessado em 18/07/2012;

3. O Mossoroense - Coluna Cotidiano - Breve relato biográfico sobre Enéas da Silva Negreiros http://www2.uol.com.br/omossoroense/201205/conteudo/cotidiano.htm - acessado em 18/07/2012. 
No referido site, não consta o nome do autor do artigo. 
  
http://telescope.zip.net

O PIOR CEGO (Crônica)

Rangel Alves da Costa

O PIOR CEGO

Cegueira é uma incapacidade orgânica que impede parcial ou totalmente a visão. É a condição de falta de percepção visual, devido a fatores fisiológicos ou neurológicos. É a incapacidade orgânica de ver.
Mas também, popularmente é tida como cegueira a falta de percepção ou de apreensão da realidade, do significado das coisas ou acontecimentos; a falta ou perda de bom senso, de lucidez, ou da capacidade de raciocinar, especialmente devido a sentimento ou emoção intensos.

Do mesmo modo, e mais usualmente ainda, cegueira significa ignorância, fanatismo, paixão exacerbada, intensidade no afeto, obcecação, tudo que perde o sentido da racionalidade para se fazer sem limites.

A cegueira, vista sob o aspecto do forjamento do irreal, provoca situações tão conflitantes que, na maioria das vezes, torna o indivíduo alheio à realidade e passivo de ser reconhecido até como insano, completamente tomado de loucura diante do absurdo que extasiantemente cria.

Haveria de se indagar, então, por que uma pessoa tida como normal, de repente não consegue enxergar aquilo que para os outros está tão claro. Ou, de outro modo, o porquê de uma pessoa simplesmente não querer perceber determinada realidade naquilo que está à sua frente, ao seu lado, no seu convívio.

Uma velha estória serve como ilustração do dito acima. A casa foi construída e jamais reformada. Um dia, debaixo de trovoada, as primeiras goteiras começaram a surgir. E o dono da casa simplesmente ignorou. Passados alguns, ele percebeu algumas pequenas rachaduras. Mas pequeninas, simplesmente ignorou.

Numa tarde de vendaval, a casa chegou a estremecer. Mas o homem apenas olhou as estruturas no dia seguinte e concluiu que tudo continuava sem perigo algum. Por ali passou uma velha senhora e disse, quase que profeticamente, que do jeito que estava nem precisava de trovada ou vendaval para tudo desabar, bastando que o dono cismasse de bater com martelo um prego na parede. E disse ao homem que ou ele saía da casa para fazer os reparos necessários ou era melhor esquecer seus quadros e retratos.

Quando a mulher saiu, raivoso com as observações, o homem bateu a porta com ignorância e força. No mesmo instante ouviu um barulho estranho atrás, e mal teve tempo de olhar para cima e ver parte do telhado desabando. Correu para o meio do tempo, e da rua chorou feito criança ao ver tudo que tinha ficar debaixo de escombros.

Outra pequena estória exemplar. O eleitor era tão fanático por um candidato, mas tão apaixonado mesmo que aonde chegava vivia pregando suas virtudes, seu senso humanista, seus gestos benevolentes, sua inatacável condição de pai dos pobres e defensor dos oprimidos. E falava sobre planos, sobre o muito que iria fazer, sobre as maravilhas do mundo nas mãos do seu candidato.

Mas aonde chegava também encontrava alguém dizendo que muito cuidado com o que dizia e defendia, pois se observasse desapaixonadamente, se tivesse mais um pouquinho de atenção no seu deus candidato, logo saberia que o mesmo não passava de um aproveitador e chegado à corrupção. Então era preciso que alguém segurasse o fanático pra ele não aflorar todo tipo de violência.

Exemplos de cegueira se alastram por todos os cantos e meios. Nos seios familiares, nas instituições, e também nas religiões, seitas e crendices. A religiosidade impõe tamanha cegueira que se abdica da divindade para o apego a ídolos e falsos profetas. Despersonalizando totalmente o indivíduo, aos poucos o transforma num mero objeto sem identidade e sem qualquer tipo de resistência. Então é a hora em que o espertalhão, aquele que tem o olho aberto demais, começa a agir.

E se assim vão os cegos tateando pelos seus mundos de ignorância, até que o abismo os acolha dizendo que tem asas.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Apenas uma carta de gratidão

Por: Archimedes Marques(*)

Minha estimada e inesquecível mãe, Maria Isabel Melo Marques:

A tua terrena morada de 29 de agosto de 1934 a 18 de Dezembro de 2012 foi singela, pura e por demais proveitosa, pois deixou alimento para o espírito, amizade, carinho, afeto e amor em todas as pessoas que a conheceram. Os meus olhos, os olhos daqueles que a cercaram, os nossos olhos são testemunhas oculares dessa visão, nossos sentimentos são testemunhas pulsativas dessa arritmia, nossos cérebros são testemunhas conscientes dessa razão, nossos sentimentos são testemunhas intelectivas dessa sensação, nossos juízos são capazes de decretar essa sentença em plena e absoluta justiça. Minhas palavras apenas tentam comprovar que não morre aquela pessoa que nas outras vive. O que é bom é eterno e ao invés de apenas passar termina ficando imortalizado.


De boa filha e verdadeira irmã dos seus irmãos você se tornou excelente esposa para o nosso querido pai. De excelente mãe você se tornou cúmplice dos seus filhos, mais tarde das noras e do genro. Cúmplice também foi dos seus netos e bisnetos, uma cumplicidade que transcendeu curtas gerações, uma cumplicidade que só buscava o bem de todos. 

Do seu dom iluminado de ser feliz e trazer felicidade com as suas sábias palavras, atos e decisões, de contar os seus contos, de historiar as suas histórias, de encantar com os seus encantos, de se encantar com os nossos encantos, de sorrir os nossos sorrisos, de sofrer os nossos sofrimentos, de se preocupar com as nossas preocupações, teve você também o poder de transformar as nossas lágrimas com alentos.

Do seu dom natural das artes você se destacou na criatividade, desenho, pintura. Nas letras, sempre bem trabalhadas, se tornou poeta em versos e prosas, contista, amante das escritas e dos livros. Da sua voz e ritmo cadenciados de cantora romântica deixou gravado um disco que não toca somente os nossos corações, mas também irradia de alegria irradiante a nossa aura.

Da amizade sempre bem regada e adubada você plantou e colheu uma legião de amigos que para sempre guardarão a sua memória, pois sendo uma pessoa abençoada pelo Criador continuará na saudade irradiando luz, irradiando satisfação, irradiando paz, irradiando harmonia, irradiando amor...

Assim, por tudo isso e indefinitivamente por muito mais, só me resta agradecer o privilégio de ter sido gerado pelo seu amor, de ter nascido do seu ventre, de ter sido amamentado pelos seus seios, de ter vivido o seu convívio, de ter sido acariciado e acalentado pelas suas mãos, afogado pelos seus maternos e aconchegantes beijos, agraciado e curado das feridas pelas suas preces, remediado pelos seus remédios, aprendido e crescido com os seus ensinamentos, esperando um dia reencontrá-la na sua nova morada, de tudo, rogando que o seu exemplo e legado de vida ensinem os bons a ser melhores.

Seu filho, Archimedes Marques.

(*) É escritor, pesquisador e delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe 

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Mensagem Natalina


O blog do Mendes e Mendes, escritores, pesquisadores e colaboradores desejam aos seus visitantes um "Feliz Natal e Próspero Ano Novo".

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