Chumbo
Pinheiro - Pesquisador
Especial para
o Expressão
Um dos maiores
legados da história da humanidade deixou-nos Homero, o poeta grego. Com suas
Ilíadas e Odisseia, através da poesia, revela-se o pensamento de uma época,
registram-se os fatos, descreve-se a geografia física e humana de uma cidade,
de um povo; o imaginário e mitológico que constituem a cultura de um lugar ao longo
do tempo; permanências, tradições, diferenças e mudanças que marcam
indelevelmente a memória dos homens e mulheres.
Aprendemos com
as lições do passado e ainda que guardemos nossas singularidades culturais,
nossas maneiras de pensar, criar, agir, expressar, diferenciarmo-nos uns dos
outros e olhamos o mundo do nosso próprio jeito, trazemos em cada um de nós a
mesma essência humana e o desejo de revelar tal Homero a nossa saga, a nossa
história, heróis, batalhas e os momentos mais difíceis, bem como, as nossas
vitórias, o cotidiano, suas belezas e agruras.
Em uma
antologia poética organizada por David de Medeiros Leite e José Edilson A. G.
Segundo notamos o cuidado com o qual eles apresentam Mossoró e Tibau, cidades
do coração de muitos potiguares e não potiguares. Mistérios do povo cantados
por muitos poetas, como Homero, o potiguar, Homero Homem em: “Conversa de
cangaceiros a cavalo no dia em atacaram Mossoró” dedicado aos defensores da
terra na palavra e na luta como aparece no verso: “Chouto: Arriba de
barbicacho/O Sol tiniu de raios/De escamas e piau/E de malacacheta/A luz do meu
chapéu/De couro de vaqueiro”.
A Antologia
revela também um pouco da história da literatura ao trazer em suas páginas
“Mossoró livre” poema de autoria de Tobias Monteiro, publicado em 30/09/1883,
no Jornal Correio de Natal em homenagem a Abolição dos escravos.
São várias as
vozes e os estilos que reunidos anunciam, cantam e denunciam os bens e os males
que transpassam a cidade de Mossoró e a praia de Tibau e sua gente, seu passado
e seu presente. Versos como os de Gilbamar de Oliveira Barros na poesia “Areias
coloridas de Tibau”, nas quais se inspirou para através de um olhar ecológico
cantar a beleza natural que se tornou símbolo da terra e que o uso
indiscriminado está levando a extinção:
“… parecem
desfalecer/Estão desnudos, tiraram-lhes as vestimentas,/Tentam apagar de vez as
nuances de seus tons/Rasgam seus ventres para levar suas
entranhas/Multicoloridas para o útero das garrafas sem vida.”
A voz da
poesia contemporânea ecoa forte nos versos de Florina da Escóssia, destaque da
orelha escrita por um dos mais importantes poetas da atualidade do nosso
Estado, Paulo de Tarso Correia de Melo e de Ângela Pereira Gurgel que revela o
crescimento da cidade e a desigualdade social tão marcante, que poetas
comprometidos e sonhadores teimam em cantar na esperança de um dia algo mudar,
um dia onde o sol brilhe com a mesma intensidade para todos e retire das trevas
da falta de saúde, educação, saneamento e das ruas, irmãos brasileiros que vivem
a margem nas calçadas e favelas.
Enfim, nomes
que orgulham a nossa origem e a produção literária potiguar, poetas consagrados
e outros que se revelam foram reunidos, seus cânticos e louvores à saga de
Mossoró e a beleza de Tibau em uma antologia que nos aproxima emocionalmente do
oeste do Rio Grande do Norte e alimenta o desejo de conhecer os lugares
históricos e banharmo-nos nas águas tibauenses.
Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
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