No anos de
1929, numa das andanças pastorais, o vigário de Glória, padre Emílio Ferreira,
encontrou-se num arraial com o legendário Rei do Cangaço, que fora assistir à
missa. Por notável coincidência, o padre, momentos antes de celebrar o ofício,
havia recebido de presente, das mãos de um caixeiro viajante amigo, um grande
mapa-plano do Brasil que media aproximadamente 1m², forrado de algodãozinho e
pregado em dois cilindros finos de madeira para enrolar, uma edição do
Ministério da Viação do Rio. Após a missa, vai Lampião cumprimentar o sacerdote.
Durante animada palestra desenvolvida entre goles de café, teve uma idéia o
padre. Estendeu o mapa aberto sobre a mesa e, entregando a Lampião um grosso
lápis encarnado, pediu-lhe: “De vez que o senhor é Rei, marque e risque sobre
esse mapa o tamanho de seu grande Reino”.
Lampião, devagar, observando as localidades, rios e montanhas, perguntando muito e auxiliado pelo padre, foi traçando. Tomando por ponto de partida, ao norte, Mossoró, no Rio Grande do Norte, desceu, em zigue-zague, até Porto da Folha, em Sergipe. Desceu mais até Capela e daí tangenciou numa linha até a fronteira da Bahia, onde penetrou por Itapicuru, talando o Estado por Riachão do Jacuípe até Morro do Chapéu. Desceu profundamente, em ponta de lança, até Barra do Estiva e Rio de Contas, donde iniciou a subida para Remanso. Continuando para cima, atingiu Juazeiro do Norte e Caririaçu, no Ceará, depois Jaguaretama, Morada Nova e Limoeiro do Norte, donde fechou o circuito para Mossoró.
Em síntese, o Mapa do Reino de Lampião é uma imensa área de cerca de 300.000 km².
Entusiasmado, exclamou o padre dirigindo-se ao Rei do Cangaço:
-“Territorialmente falando, seu REINO faria inveja a muita cabeça coroada da Europa!...”
Página do José João Souza
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