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Esse imponente casarão, maltratado pela ação do tempo, fica localizado no sítio
Cabaças Verdejante-PE, segundo moradores da localidade como o Sr. Manoel
Henrique, essa casa pertenceu ao Capitão ÂNGELO GOMES DE SÁ, filho do Alferes
Manoel Gomes de Sá e de Maria dos Anjos da Purificação, primeiro matrimônio com
Maria Angélica de Jesus e o segundo com Feliciana Gomes de Sá, as esposas eram
irmãs, filhas de Antônio Gomes de Sá irmão de Ângelo. O capitão Ângelo Gomes de
Sá, era tio de David Jacinto de Sá, um dos fundadores da cidade de
Verdejante-PE, Davi Jacinto nasceu em meados do ano de 1859 e faleceu com 85
anos de idade no dia 04 de dezembro de 1944. A fazenda Bezerros, hoje cidade de
Verdejante, era distrito de Salgueiro, a sua localização e a distância entre as
cidades de Salgueiro-PE e São José do Belmonte-PE, dificultava o comércio dos
produtos agrícolas e outras mercadorias. Por volta de 1915, ano da grande seca,
as lideranças do lugarejo sentiram a necessidade da criação de uma feira
semanal para a comercialização de mercadorias, assim foi criada a feira aos
domingos. No ano de 1917 o então prefeito de Salgueiro, o Cel. Romão Sampaio,
tomando conhecimento da criação da feira, ordenou a sua proibição, destruindo
as barracas e desarmando o chefe político David Jacinto. Em dezembro do mesmo
ano, em campanha política, Agamenon Magalhães visitou a vila, e prometeu
interceder, de fato cumpriu a promessa, inclusive devolvendo a arma do chefe
político local David Jacinto. Na celebração das festas natalinas, o Padre
Manoel Firmino, pároco de Salgueiro, sugeriu que fosse construído uma capela.
As lideranças políticas e os chefes de famílias, se reuniram e acertaram a
construção da igrejinha, o Sr. David Jacinto, e o seu cunhado Mariano Gomes de
Sá e Cirilo Ribeiro fizeram a doação do terreno para a construção. Em forma de
mutirão, a Capela foi erguida e inaugurada no dia 08 de dezembro de 1918 com a
chegada da imagem de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, e uma celebração de uma
festa.
“O sequestro do Cel. David Jacinto de Sá pelo bando de Lampião”
Em meados do ano de 1926, Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) invade e
saqueia o povoado de Bezerros, o alvo era Cel. David Jacinto, o chefe político
do lugar. Lampião exigiu a quantia de 10 contos de réis do coronel, que prontamente
se negou a entregar a quantia. Lampião ficou muito irritado com a negativa,
então, ordenou que os cangaceiros amarrassem o coronel de costas num jumento e
o sequestrou. A esposa do sequestrado, a Sra. Joana Tavares de Sá (ou Joana
Gomes de Sá, Joana Tavares Muniz) (Dona Joaninha), recorreu ao Cel. Veremundo
Soares de Salgueiro, e ele empresta os 10 contos de réis para pagar o resgate,
Dona Joaninha faz uma promessa, que se o seu esposo voltasse para casa a salvo,
ela mandaria celebrar uma missa. Com o dinheiro emprestado por Veremundo, Dona
Joaninha entrega a quantia ao Sr. Manoel Coelho e pedi que ele saia a procura
do bando de Lampião, era do conhecimento que o grupo de cangaceiros tinha indo
em direção da localidade chamada Carnaúba, então o dinheiro foi entregue pelo
portador, Lampião solta o sequestrado e ele volta a salvo para sua casa. Para
cumprir a promessa foi mandado celebrar uma missa e uma festa com os vaqueiros
no dia 08 de dezembro, dando então início a tradicional Missa do Vaqueiro, que
até hoje é realizada.
Por Cicero Aguiar Ferreira
Fonte de pesquisas: ACAVE (Associação Cultural e Artística de Verdejante),
Manoel Henrique, Genealogia Pernambucana, documento digitalizado do cartório de
Verdejante (assentamento do óbito de David Jacinto de Sá).
Fotos: (Igreja) foto de José Roberto Nogueira, (casarão) fotos de Cicero Aguiar
Ferreira.
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